Sede da Netflix em Los Gatos, Califórnia, ao entardecer, com fachada de vidro refletindo o céu.
Fachada da sede da Netflix em Los Gatos (EUA), onde atuava a executiva que moveu o processo.

Ex-executiva processa Netflix por assédio, discriminação e retaliação

Ação judicial movida por Nhu-Y Phan nos EUA denuncia práticas abusivas dentro da estrutura corporativa da Netflix e levanta questionamentos sobre a coerência entre discurso e prática da empresa.

A Netflix, gigante do streaming global, está enfrentando um novo e sério processo judicial. A ex-executiva de Relações Trabalhistas da empresa, Nhu-Y Phan, entrou com uma ação na Justiça da Califórnia alegando assédio sexual, discriminação racial e retaliação corporativa. O caso, protocolado no Tribunal Superior de Los Angeles, traz à tona uma série de acusações que colocam em xeque as políticas internas da empresa quanto à diversidade e conduta ética.

Quem é a autora do processo?

Nhu-Y Phan trabalhou na Netflix entre 2021 e 2023. De origem asiático-americana, ela ocupava um cargo estratégico nas relações trabalhistas da empresa. Segundo a denúncia, sua trajetória foi marcada por exclusões em projetos, falta de acesso a reuniões importantes e um ambiente profissional hostil, principalmente após ter encorajado uma colega a denunciar comportamentos inapropriados de um superior.

As principais acusações

O processo traz três frentes principais:

  • Assédio sexual: Phan relata que o então supervisor Jonah Cozien teria feito avanços sexuais inapropriados a uma colega. Ao incentivar a denúncia, ela teria sido excluída e enfraquecida dentro da estrutura da empresa.
  • Discriminação racial e de gênero: A executiva afirma que foi sistematicamente ignorada em decisões importantes, sendo alvo de comentários depreciativos e de tratamento desigual em relação a colegas homens brancos em cargos semelhantes.
  • Retaliação: Após as denúncias internas, Phan alega ter sofrido perseguição institucional, culminando em sua demissão em agosto de 2023 sob justificativa de “desempenho insatisfatório”.

O que diz a Netflix

A empresa respondeu oficialmente afirmando que as alegações não têm mérito e que pretende se defender “vigorosamente” nos tribunais. Até o momento, nenhum executivo citado se pronunciou individualmente.

Este caso se soma a uma série de denúncias envolvendo empresas do setor de entretenimento. Desde o movimento #MeToo, iniciado em 2017, grandes corporações passaram a enfrentar processos e investigações internas sobre condutas abusivas de seus executivos.

A Netflix, que costuma se posicionar publicamente como defensora da diversidade e inclusão, agora se vê pressionada a comprovar que essas políticas também se aplicam em sua estrutura corporativa interna.


Apesar de ser um processo ainda em fase inicial, o caso pode gerar impactos diretos na reputação da Netflix, especialmente em relação à sua imagem institucional. Em um momento em que empresas são cobradas por coerência entre discurso e prática, casos como esse podem redefinir estruturas internas — ou evidenciar que o marketing de diversidade muitas vezes serve apenas como fachada.

A denúncia foi revelada inicialmente pelo portal Deadline em 21 de julho de 2025.

Fundador do Bandas de Garagem, projeto que marcou a cena independente no Brasil. Apaixonado por games e cultura digital desde os anos 80, vive conectando música, tecnologia e boas ideias que viram projetos.