Review | Scott Pilgrim EX

Beat ‘em up caótico, estiloso e cooperativo que expande o universo criado por Bryan Lee O’Malley

Nos últimos anos, a Tribute Games se consolidou como um dos estúdios mais competentes quando o assunto é revitalizar o beat ’em up clássico com alma moderna. Depois de me dedicar horas — e conquistar a platina — em Marvel Cosmic Invasion, além de ainda estar mergulhado em Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge, eu já sabia o que esperar: pixel art caprichada, combate técnico e coop viciante.

Com Scott Pilgrim EX, o estúdio revisita um universo querido, o expande, ousa e entrega um capítulo inédito que conversa tanto com fãs antigos quanto com novos jogadores.

E sim, eu já adianto: é extremamente divertido.

Um novo capítulo em Toronto

A história se passa em uma Toronto fragmentada no ano 20XX. Três gangues — VEGANOS, ROBÔS e DEMÔNIOS — tomaram a cidade, enquanto os integrantes da banda Sex Bob-Omb desapareceram misteriosamente.

O roteiro é totalmente novo, co-escrito por Bryan Lee O’Malley, criador da série, junto com a equipe da Tribute Games. O resultado é uma narrativa leve, caótica e cheia do humor característico da franquia.

Você pode jogar com sete personagens, incluindo:

  • Scott Pilgrim (equilibrado e versátil)
  • Ramona Flowers
  • Roxie Richter
  • Lucas Lee
  • Matthew Patel
  • Robot-01
  • Gideon Graves

Cada um tem estilo próprio de combate. Scott é o “meio-termo” ideal para iniciantes, enquanto outros personagens focam mais em controle de área, ataques à distância ou pura brutalidade.

Scott Pilgrim EX | Reprodução/Tribute Games

Combate instintivo, improviso e caos organizado

Se tem algo que a Tribute sabe fazer, é sistema de combate gostoso.

Scott Pilgrim EX aposta em:

  • Combos encadeáveis
  • Ataques especiais
  • Uso de armas inusitadas
  • Interação com o cenário
  • Emblemas que modificam habilidades e estatísticas

O combate é quase como um “balé frenético”, e isso faz sentido. Há um ritmo quase musical nas batalhas, ainda mais com a trilha inédita da banda Anamanaguchi, que retorna com sua mistura energética de 8-bit e rock hipermelódico.

Dito isso, aqui entra meu único ponto negativo: Em alguns momentos senti falta de fluidez. Principalmente no início, o jogo parece um pouco mais travado do que Marvel Cosmic Invasion. Não chega a comprometer a experiência, mas a comparação é inevitável para quem já vem de outros títulos do estúdio.

Durante o decorrer da gameplay você se acostuma com o ritmo e tudo soa mais natural.

Scott Pilgrim EX | Reprodução/Tribute Games

Estrutura semiaberta e exploração

Uma das novidades mais interessantes é a estrutura de mundo interconectado. Em vez de fases lineares puras, há uma espécie de “hub expandido” onde você explora áreas de Toronto, encontra missões secundárias, descobre segredos e desbloqueia novos caminhos.

A campanha principal pode ser concluída em menos de 2 horas. Mas isso é apenas a superfície.

Morrer em combates, revisitar áreas, completar objetivos opcionais, experimentar personagens diferentes e subir a dificuldade estendem bastante a experiência. O fator replay é alto, algo essencial em um beat ’em up moderno.

Progressão, personalização e rejogabilidade

O sistema de emblemas e upgrades adiciona uma camada estratégica interessante. Você pode moldar seu personagem com bônus específicos, criando estilos mais ofensivos, resistentes ou focados em habilidades especiais.

É aquele tipo de jogo que convida você a dizer: “Só mais uma run.”

Seja para testar outro personagem, aumentar a dificuldade ou buscar 100%, sempre existe um motivo para voltar.

Direção de arte e interface

Visualmente, Scott Pilgrim EX segue o padrão da Tribute: pixel art vibrante, animações expressivas e identidade própria. É bonito, estiloso e fiel ao universo original.

No entanto, confesso que tive dificuldade com a leitura de alguns elementos do menu. Em meio a tanta informação e estética retrô, a clareza poderia ser melhor trabalhada.

Nada grave, mas perceptível.

Scott Pilgrim EX | Reprodução/Tribute Games

Coop: onde tudo fica ainda melhor

Assim como nos outros jogos do estúdio, o cooperativo é o coração da experiência.

Até quatro jogadores podem se unir, local ou online, com entrada e saída facilitadas. E como todo bom beat ’em up, o caos compartilhado multiplica a diversão.

Jogando sozinho já é ótimo. Com amigos, vira bagunça organizada, no melhor sentido possível.

Veredito | Vale a pena?

Scott Pilgrim EX entende perfeitamente o que faz a franquia funcionar: humor, estilo, trilha marcante e pancadaria sincera.

É curto? Sim. Mas é altamente rejogável.

É extremamente divertido, bem humorado e, para fãs de Scott Pilgrim e de beat ’em up, é praticamente obrigatório. A Tribute Games continua mostrando que entende o gênero como poucos.

Há 10 anos trabalhando com produção de conteúdo, já produzi programas de TV, participei de eventos internacionais e escrevi uma porção de reviews por aí.