Personagem principal Kliff em Crimson Desert com armadura
Kliff lidera a jornada em um mundo marcado por conflitos

Review | Crimson Desert

Crimson Desert aposta em imersão, mundo vivo e gameplay mais físico para se destacar no gênero, entregando uma experiência envolvente que evolui rapidamente após atualizações importantes.

Uma proposta diferente desde o início

Ambicioso, imersivo e diferente do padrão, mas ainda em evolução

Crimson Desert deixa claro logo nas primeiras horas que não está interessado em seguir o caminho mais fácil ou mais convencional do gênero. Aqui, não existe aquela estrutura tradicional de herói predestinado que vai salvar o mundo com objetivos claros e progressão simplificada.

Você assume o papel de Kliff, líder de um grupo de mercenários em um mundo marcado por conflitos, instabilidade e sobrevivência constante. A proposta é mais crua, mais humana e menos romantizada, com foco em relações, decisões e consequências que nem sempre são bem explicadas ou previsíveis.

O tom da narrativa se aproxima mais de Game of Thrones do que de uma fantasia clássica, e isso muda completamente a forma como o jogador se conecta com o mundo e com os personagens.


Primeiras impressões

A abertura do jogo é forte e cumpre bem o papel de apresentar a proposta. Logo de início, já é possível perceber o cuidado técnico e a ambição do projeto.

Os tempos de carregamento são rápidos, especialmente considerando o nível gráfico apresentado, o que ajuda a manter o ritmo e evita quebras bruscas na imersão. Existe também uma sensação clara de que esse tipo de jogo estava faltando no PS5, um RPG medieval mais realista, mais físico e menos automatizado.

Essa primeira impressão é muito positiva e cria uma expectativa alta para o restante da experiência.


Movimentação e imersão

Um dos primeiros pontos que chamam atenção é a movimentação do personagem. Tudo é muito fluido, com animações naturais e transições bem trabalhadas.

Diferente de jogos mais antigos, como Grand Theft Auto III, onde o personagem parecia rígido e desconectado do ambiente, aqui existe uma sensação real de peso e presença. O corpo responde ao terreno, às ações e ao contexto da cena.

Esse cuidado faz muita diferença, porque é justamente na movimentação que a imersão começa a se construir de verdade.


Direção visual

Visualmente, o jogo é muito bonito, mas o destaque vai além da qualidade gráfica pura.

O mundo é dinâmico. A vegetação se movimenta, as folhas respondem ao vento, o cenário tem profundidade e vida. Não é um ambiente estático pensado apenas para impressionar em screenshots, é um mundo que reage e se comporta.

Esse tipo de construção reforça a proposta do jogo de priorizar imersão acima de tudo.

Paisagem de Crimson Desert com rio, deserto e personagem explorando o ambiente
Ambiente aberto de Crimson Desert mostra riqueza visual e profundidade de cenário

Mundo e NPCs

As cidades são densas e bem povoadas, com uma quantidade significativa de NPCs circulando e ocupando o ambiente.

Isso contribui bastante para a sensação de um mundo vivo e em funcionamento. Existe movimento, existe presença, e isso ajuda a criar uma ambientação mais crível.

No entanto, quando se observa mais de perto, as interações ainda seguem um modelo tradicional. Falta um avanço mais evidente em comportamento e diálogos, especialmente considerando o potencial atual de sistemas mais avançados.

Personagem feminina em combate em Crimson Desert em ambiente natural
Combate dinâmico com personagem em ambiente aberto

Controles e curva de adaptação

Os controles fogem do padrão mais comum, o que impacta diretamente a experiência inicial.

Nas primeiras horas, é normal sentir uma certa dificuldade. Algumas ações não são instintivas, e isso pode gerar frustração até que o jogador se adapte.

Com o tempo, a tendência é melhorar, mas existe uma barreira de entrada clara que pode afastar quem busca uma experiência mais imediata.

Combate

O combate é um dos pilares do jogo e, no geral, funciona bem. Ele tem impacto, peso e uma sensação física interessante, fugindo daquele padrão mais automático que muitos jogos adotam hoje.

Existe variedade de ações, interação com o ambiente e uma construção que valoriza mais o envolvimento do jogador do que apenas apertar botões em sequência.

Por outro lado, o sistema pode se tornar um pouco complexo, especialmente no início. Os comandos não são tão intuitivos, e isso exige um tempo de adaptação até que tudo se torne mais natural.

Mesmo funcionando bem, ainda não atinge o nível de refinamento de Ghost of Tsushima, que, na minha visão, ainda possui um dos sistemas de combate mais equilibrados e prazerosos já feitos.

Aqui, o combate é bom, sólido, mas ainda pode evoluir em fluidez e acessibilidade.

Cena de combate com espada em Crimson Desert
Sistema de combate com foco em impacto e realismo

Um jogo pouco intuitivo

Crimson Desert não é um jogo que se explica o tempo todo. Ele exige atenção até em ações simples, como interagir com objetos ou executar tarefas básicas.

Essa escolha é claramente intencional. O jogo abre mão de conveniência em troca de imersão.

Funciona para quem está disposto a entrar no ritmo, mas pode ser um problema para quem espera algo mais direto.


Puzzles e ritmo

Os puzzles fazem parte da experiência e ajudam a definir um ritmo mais cadenciado.

Não é um jogo acelerado. Ele pede tempo.


Navegação e ausência de GPS

Um dos pontos que mais incomodam é a ausência de um sistema de navegação mais claro.

Diferente de jogos como Grand Theft Auto V e Red Dead Redemption 2, não existe um GPS indicando o melhor caminho até o objetivo.

Na prática, isso faz falta. Em vários momentos, é fácil se perder, entrar em caminhos sem saída ou gastar tempo tentando entender a rota correta.

Essa decisão pode até reforçar a imersão, mas na execução acaba prejudicando a fluidez.


Side quests

As missões secundárias apresentam uma variação clara de qualidade.

Algumas são interessantes e ajudam na exploração, levando o jogador a novas áreas e contribuindo para a construção do mundo.

Outras, no entanto, são simples demais para o tempo que exigem. Há momentos em que você percorre longas distâncias para executar tarefas muito básicas, com pouco retorno narrativo ou mecânico.

Não são totalmente irrelevantes, mas poderiam ser melhor desenvolvidas.


Narrativa e envolvimento

A narrativa é funcional, mas não atinge o mesmo nível de impacto de jogos como Red Dead Redemption 2 e The Witcher 3: Wild Hunt.

Existem bons momentos, mas também há trechos desconexos e com lacunas. Em alguns pontos, o jogador executa ações sem entender claramente o motivo, o que reduz o envolvimento.

É uma história que funciona, mas que não empolga no mesmo nível das grandes referências do gênero.


Inventário e progressão

No início, o jogo limita bastante o jogador, com cerca de 50 slots e sem um sistema de armazenamento.

Com as atualizações recentes, isso foi corrigido com a adição de um baú no acampamento, o que melhora significativamente a gestão de itens e a liberdade de exploração.


Dificuldade

O jogo não possui níveis de dificuldade tradicionais.

O desafio evolui de forma natural conforme o progresso, mantendo uma experiência mais controlada.

Criatura com chifres em Crimson Desert em ambiente selvagem
Criaturas reforçam o mundo vivo e hostil do jogo

Dublagem

A atuação de voz ainda não atinge o nível de The Witcher 3: Wild Hunt e Red Dead Redemption 2.

Em alguns momentos, soa artificial e menos envolvente.


Atualizações e correções

Durante a produção deste review, a Pearl Abyss publicou uma atualização relevante:

Atualização | Crimson Desert

O principal problema técnico encontrado, relacionado aos travamentos no mapa, foi corrigido, melhorando significativamente a fluidez da experiência.

Além disso, a inclusão do baú no acampamento mostra uma evolução clara do jogo em pouco tempo.

A desenvolvedora também já havia reconhecido outros problemas técnicos anteriormente: https://crimsondesert.pearlabyss.com/pt-BR/News/Notice/Detail?_boardNo=68


Sensação de jogo

Depois de cerca de 20 horas, a principal conclusão é simples.

Crimson Desert é extremamente imersivo e muito gostoso de jogar.

Fazia tempo que uma experiência assim não aparecia com tanta força desde Red Dead Redemption 2 e The Witcher 3: Wild Hunt.

Não é uma comparação direta de qualidade, mas de sensação. E isso pesa muito.


Veredito

Crimson Desert é um jogo com identidade forte e uma proposta clara.

Ele acerta na imersão, na movimentação e na construção do mundo, entregando uma experiência diferente do padrão atual.

Por outro lado, ainda apresenta limitações em narrativa, navegação e consistência de conteúdo.

As atualizações recentes mostram um caminho positivo.

Hoje, é um jogo muito bom, com potencial de se tornar excelente.

Fundador do Bandas de Garagem, projeto que marcou a cena independente no Brasil. Apaixonado por games e cultura digital desde os anos 80, vive conectando música, tecnologia e boas ideias que viram projetos.