Kakashi Hatake em Kakashi Gaiden, segurando uma lâmina com lágrimas nos olhos, com o Sharingan recém-implantado de Obito em um dos olhos, em um momento de choque e dor após a missão.
O Sharingan não chega como “poder”. Chega como lembrança — e como ferida que muda tudo.

Os Melhores Arcos Filler que Valem a Pena Assistir

Nem todo episódio extra é desperdício — descubra os fillers que se tornaram essenciais.

Nem todo episódio “extra” é perda de tempo — alguns fillers conquistaram os fãs e se tornaram essenciais

Você já pulou um arco inteiro de anime só porque apareceu a palavra “filler” no título do episódio? Se sim, você não está sozinho. A má fama dos episódios que não seguem o mangá original é quase um consenso entre os fãs. Mas aqui vai uma confissão: alguns fillers são melhores que muito arco canônico por aí.

Enquanto muitos são criados apenas para dar tempo ao mangá avançar, outros aproveitam o espaço para explorar personagens secundários, criar momentos de respiro emocional ou até desenvolver tramas paralelas que enriquecem o universo da obra. E é sobre esses — os fillers que merecem sua atenção — que vamos falar hoje.

O que torna um filler “bom”?

Antes de mergulharmos na lista, vale entender o que separa um filler esquecível de um memorável. Não basta só “não estragar a história principal”. Um bom filler precisa adicionar algo — seja development de personagem, worldbuilding, humor genuíno ou emoção inesperada.

Os melhores fillers funcionam como histórias paralelas que respeitam o tom da obra, mas ousam explorar ângulos diferentes. Eles não tentam competir com os arcos principais — eles complementam. E quando isso é feito com cuidado, o resultado pode ser surpreendente.

G-8 (One Piece) — O arco que ninguém esperava amar

Poucos fillers são tão unânimes quanto o arco da Base G-8, que acontece logo após Skypiea. Enquanto o Chapéu de Palha cai acidentalmente em uma fortaleza da Marinha, o que poderia ser só “mais um episódio de fuga” se transforma em uma comédia de situação brilhante.

O que faz esse arco funcionar é simples: ele entende os personagens. Luffy sendo Luffy, Sanji improvisando na cozinha, Usopp blefando como nunca. Tudo isso com um vilão carismático (o Vice-Almirante Jonathan) que não é mal escrito nem caricato — só alguém competente fazendo seu trabalho. O resultado? Tensão, risadas e uma das melhores fugas da série.

Kakashi Gaiden (Naruto Shippuden) — O passado que importa

Tecnicamente, esse arco é baseado em capítulos do mangá, mas foi expandido no anime de forma tão marcante que muitos o consideram um dos pontos altos de Shippuden. Ver a origem do Sharingan de Kakashi, sua amizade com Obito e a tragédia de Rin não é só “backstory” — é contexto emocional essencial.

O arco funciona porque humaniza Kakashi de um jeito que a narrativa principal raramente faz. Ele deixa de ser “o sensei misterioso” e passa a ser alguém marcado por perdas reais. E quando você revisita cenas futuras sabendo disso, tudo ganha um peso diferente.

Episódio 131 (Hunter x Hunter) — Oside quest perfeito

Komugi e Meruem jogando Gungi. Só isso. Um episódio inteiro dedicado a duas pessoas jogando um jogo de tabuleiro — e é absolutamente arrebatador.

Esse não é tecnicamente um filler no sentido clássico, mas funciona como uma pausa narrativa que poderia ser considerada “desnecessária” por quem só quer ação. Mas quem assiste entende: é nesse episódio que a humanidade do Rei Formiga começa a emergir de verdade. É silencioso, contemplativo e emocional. Um lembrete de que anime não precisa de explosões para ser impactante.

Enies Lobby: Parte de Fuga (One Piece) — Fillers que respiram

Entre os momentos mais tensos de Enies Lobby, o anime inseriu pequenos episódios de “respiro” — cenas expandidas de convivência, piadas, reflexões dos Mugiwaras enquanto fogem. Muitos fãs reclamaram na época, mas olhando em retrospecto, esses momentos dão ritmo.

Eles lembram o espectador de que aqueles personagens não são só guerreiros — são amigos. E depois de tanta pancadaria, ver Luffy rindo com a turma ou Zoro cochilando no meio do caos traz um alívio necessário. Às vezes, o filler serve justamente para isso: fazer você lembrar por que torce por aquelas pessoas.

Fillers de Bleach (os poucos bons)

Bleach tem uma reputação complicada com fillers — e com razão. Mas no meio de tanto episódio esquecível, alguns se destacam. O arco das Zanpakutōs materializadas, por exemplo, tinha uma premissa criativa: e se as espadas ganhassem forma e personalidade?

Ver Hyorinmaru, Senbonzakura e Zabimaru como personagens independentes foi divertido, visual e conceitualmente interessante. Não mudou nada na trama principal, mas entregou exatamente o que prometia: entretenimento puro com um toque de fanservice criativo.

Por que ainda vale a pena dar uma chance aos fillers

A verdade é que o estigma dos fillers existe por boas razões — muitos realmente são descartáveis. Mas ignorá-los por completo é perder nuances. Às vezes, o melhor momento com um personagem secundário está justamente num episódio “extra”. Às vezes, a piada mais engraçada ou o momento mais tocante não estava no roteiro original.

Fillers são como histórias paralelas em jogos de RPG: você pode pular, mas se parar pra jogar, pode descobrir algo especial. E no fim das contas, não é disso que se trata assistir anime? Passar mais tempo com os personagens que amamos, mesmo que seja só pra vê-los fazendo algo cotidiano ou inusitado.

O filler como arte do desvio

Nem todo desvio é perda de tempo. Às vezes, o caminho mais longo é o mais interessante. Os melhores fillers nos lembram que uma boa história não é só sobre “chegar ao fim” — é sobre aproveitar a jornada, conhecer melhor quem está ao nosso lado e descobrir detalhes que só aparecem quando desaceleramos.

Então da próxima vez que você ver “arco filler” na descrição, não pule automaticamente. Dê uma chance. Quem sabe você não encontra uma joia escondida no meio do “não-canônico”?