Prévia | Echoes of Aincrad: Muito além do anime, um RPG tenso, imersivo e punitivo

Se você curte cultura nerd e animes, com certeza já esbarrou na clássica premissa: “Se você morre no jogo, morre na vida real”. A franquia Sword Art Online (SAO) marcou uma geração ao prender milhares de jogadores em um MMORPG de realidade virtual sem nenhum botão de “Sair”. A primeira temporada do anime é um clássico absoluto, e agora a Bandai Namco nos dá a chance de vivermos essa tensão na própria pele.

No dia 9 de julho de 2026 (para PS5 e Xbox Series X|S) e 10 de julho (para PC via Steam), chega ao mercado Echoes of Aincrad. Graças a uma chave de acesso antecipado, mergulhamos de cabeça em uma prévia do jogo. E já adianto: prepare-se para suar frio.

Um Legado de Peso nos Videogames

Antes de falar da novidade, é legal lembrar que SAO já tem uma longa caminhada no mundo dos games, criando até uma linha do tempo própria ao longo dos anos.

Jogos Principais (Console/PC):

  • Infinity Moment (2013)
  • Hollow Fragment (2014)
  • Lost Song (2015)
  • Hollow Realization (2016)
  • Accel World VS SAO (2017)
  • Fatal Bullet (2018)
  • Alicization Lycoris (2020)
  • Last Recollection (2023)
  • Fractured Daydream (2024)

Jogos Mobile: End World, Code Register, Progress Link, Black Swordsman, Memory Defrag, Integral Factor, VR: Lovely Honey Days, Unleash Blading e Variant Showdown.

O Protagonista é Você (e por que o nome “SAO” sumiu?)

O maior diferencial de Echoes of Aincrad é a liberdade. Pela primeira vez na história principal da franquia, você não vai controlar o herói Kirito. O jogo te convida a criar o seu próprio avatar do zero, assumindo o papel de um sobrevivente comum que precisa lutar pela vida ao lado de parceiros novos (como Iori) e de velhos conhecidos (como Argo, Kirito e Asuna).

Isso explica uma dúvida que muita gente teve: por que o nome “Sword Art Online” não está no título? Em entrevista à revista Famitsu, o produtor Yosuke Futami explicou que a ideia foi proposital. A intenção é chamar a atenção da galera que curte bons RPGs de Ação, sem assustar quem talvez nunca tenha assistido ao anime e pudesse achar que ia ficar perdido na história.

O jogo foca apenas no 1º e no 2º andar de Aincrad. Segundo os criadores, cada andar tem cerca de 10 quilômetros quadrados. Fazer todos os 100 andares levaria uns 10 anos de produção, então a equipe preferiu entregar um mapa menor, mas recheado de detalhes. A história mergulha no desespero real de ser um jogador iniciante preso nesse pesadelo.

Minhas Impressões: Sobrevivendo a Aincrad

Para essa prévia, tive a chance de testar três arquivos de save diferentes: um com o personagem quase no nível 10, outro já beirando o nível 30, e um começando totalmente do zero. Começar do zero foi excelente para pegar o jeito dos botões e testar as combinações de golpes. Aquele famoso “tutorial inicial” não foi nada chato; na verdade, foi bem divertido. Ele resgata muitas raízes da história do anime, o que ajuda a te jogar de cabeça na imersão.

Um ponto super positivo: o jogo tem interface e legendas em Português do Brasil, o que facilita demais! Faltou apenas a dublagem das vozes para a gente, mas é possível escolher o áudio em inglês ou no original em japonês.

A Forja e a Exploração (A forte pegada Souls-like)

Sair da “Cidade dos Começos” prova que a exploração não é um passeio no parque. O jogo tem uma pegada muito forte de Souls-like. O mapa funciona como uma grande masmorra e é cheio de orbes azuis, que funcionam igualzinho às famosas “Fogueiras” (curam sua vida, mas fazem os monstros voltarem, o que também acaba sendo uma ótima opção se você quiser lutar para subir uns níveis).

O cenário é vivo e cheio de quebra-cabeças. O caminho nunca é uma linha reta: encontrei pedras bloqueando rotas que precisavam de explosivos, plantas venenosas que exigiam fogo e buracos que só podiam ser pulados com itens de impulso. Vasculhar o mapa vale muito a pena, pois é achando pistas no cenário que você libera missões extras com os NPCs da cidade. Durante o teste, graças à grana extra vinda no save, pude resetar meus atributos e testar o Ferreiro à vontade. São seis tipos de armas disponíveis, desde a clássica Espada e Escudo até o pesado Machado de Duas Mãos. A grande mágica do jogo é o sistema de EX Mods, que deixa você misturar habilidades para criar a build perfeita para o seu estilo de jogar.

Stamina, Atributos e o Banco de Dados

O combate pune quem só quer apertar botão sem parar. Atacar, esquivar e defender gasta sua barra de Stamina (Vigor), e ficar sem energia perto dos monstros é caixão, independentemente do nível, se errar pode acabar rodeado de vários deles, então é importante também distribuir bem seus pontos de atributos.

Os inimigos são agressivos e te perseguem sem dó. Lobos atacam em bando e os Kobolds tentam te cegar jogando estática na sua tela, já as Vespas voam, atiram veneno e batem forte.

Além dos diferentes monstros, inimigos e pessoas que você encontra no decorrer da sua aventura, quando chega ao seu quarto, na cidade, você pode habilitar seu Banco de Dados e analisar toda a sua coleta de informações.

Trabalho em Equipe é Tudo

Como em jogos do estilo de Code Vein, os parceiros salvam vidas. Usando o gatilho esquerdo (LT/L2), você solta as suas Habilidades de Espada e comanda o seu parceiro ao mesmo tempo. O segredo é saber a hora certa de usar o Switch Mode (para dividir a atenção do monstro com o seu parceiro) e o Free Mode (para os dois baterem juntos no mesmo alvo). Minha dica de ouro: ande com a Iori. A habilidade de cura em área dela me salvou várias vezes quando as minhas poções acabaram.

Chefões e o Modo Death Game

Vasculhar cada canto do mapa te leva direto para a área do Chefe de Andar. E o jogo não tem pena: iniciou a batalha, já era. Ou você vence, ou você morre. Voltar para a cidade e se preparar bem antes é uma regra de ouro.

Para os fãs mais fiéis, o título vai contar com o modo Death Game, onde morrer significa perder o seu save para sempre.

Para ir além do jogo…

Um bônus: se você se interessou por esse universo fantástico, dê uma chance ao anime de Sword Art Online. É uma franquia de sucesso absurdo que virou a grande referência nesse gênero.

E se quiser ir ainda mais fundo nesse estilo (os famosos isekai), fica a dica de uma série um pouco mais antiga, mas igualmente sensacional: a franquia .hack (lê-se Dot Hack). Que trouxe alguns jogos para PlayStation 2, seguindo quase o mesmo estilo deste novo jogo, com as limitações de sua época. Alguns anos atrás lançou a coletânea Last Recode e, recentemente, ganhou novidades e o anúncio de um novo capítulo. É um prato cheio para quem gosta dessa temática!

Veredito: Echoes of Aincrad pega a nostalgia e o desespero do anime original e transforma em um RPG imersivo e desafiador, te fazendo passar horas jogando sem perceber e curtindo muito a jornada.