A presidência da Sony Interactive Entertainment, por meio de Hideaki Nishino, reforçou sua aposta nos jogos live-service, um modelo que enfrenta desafios e cancelamentos significativos, mas ainda é considerado estratégico pela empresa.
Em entrevista ao Famitsu, Nishino destacou que os jogos live-service conseguem atrair jogadores globalmente e que a Sony pretende revitalizar esse mercado com conteúdos de estúdios próprios e parceiros terceirizados. Segundo ele, a natureza relativamente nova do gênero incita a empresa a continuar explorando e inovando nesse campo.
O executivo comentou que o diferencial dos live-services está em continuar oferecendo novidades após o lançamento inicial, um desafio que a companhia encara como oportunidade para expandir o engajamento de jogadores no médio e longo prazo. Nishino citou também que, em 2026, está prevista a estreia do título próprio da Sony para esse formato, Marvel Tōkon: Fighting Souls.
Esse posicionamento acontece mesmo após um período turbulento no segmento para a Sony. Nos últimos anos, diversos projetos foram cancelados, incluindo jogos cooperativos do London Studio, a tentativa multiplayer de The Last of Us pela Naughty Dog, e um projeto live-service de Twisted Metal pela Firespite. Além disso, a Sony viu o lançamento do shooter Concord, da Firewalk Studios, ser retirado do mercado semanas depois por vendas fracas, culminando no fechamento do estúdio.
O cenário do live-service também foi impactado pela recente saída do chefe do estúdio Bungie, Justin Truman, e cortes que colocaram centenas de funcionários em risco, o que mostra um mercado em ebulição e repleto de ajustes.
Para quem acompanha a indústria, o compromisso renovado de Hideaki Nishino sinaliza que a Sony não desistiu dessa vertente, que é vista como fundamental para manter jogadores ativos e gerar receita contínua em um mercado cada vez mais competitivo. A chegada do Marvel Tōkon: Fighting Souls será um teste importante para entender se a empresa consegue superar os obstáculos recentes.
Live-service é um modelo de jogos que foca em atualizações constantes, eventos, e microtransações para manter o interesse da base de jogadores por longos períodos, em vez de um título fechado. A Sony tem investido pesado nesse segmento, anunciando planos para lançar mais de 10 jogos live-service até março de 2026.
No entanto, a pressão de campanhas mal-sucedidas e o cancelamento de projetos mostraram que o caminho é cheio de riscos. A falência rápida de Concord e o cancelamento de outros títulos evidenciam que entregar um live-service rentável e popular não é tarefa fácil.
Para o público, o recado é claro: a aposta continua, mas haverá aprendizados práticos. A experiência com jogos e estúdios anteriores indica que os lançamentos futuros podem incorporar ajustes baseados nos erros passados, visando conteúdo mais relevante e estável.
Além disso, o comprometimento da Sony em apoiar tanto conteúdos novos quanto seus títulos mais antigos no médio e longo prazo mostra uma estratégia para manter vivas comunidades e aproveitar franquias consolidadas.
Apesar da declaração firme de Nishino, a empresa não detalhou as estratégias específicas que usarão para evitar os tropeços recentes, nem revelou se haverá mudanças significativas no modelo de negócios adotado.
Outro ponto que ficará sob observação é o desempenho de Marvel Tōkon: Fighting Souls, que será o termômetro sobre a capacidade da Sony de entregar um live-service sólido e atrativo. Sucesso ou fracasso desse título pode influenciar futuros investimentos e títulos no gênero.
Enquanto isso, o mercado permanece em transformação, com cortes e realocações em estúdios emblemáticos, reforçando que o segmento é desafiador mesmo para grandes nomes.










