Laura Cardoso morreu aos 98 anos nesta terça-feira (18), em São Paulo, de causas naturais. A informação foi divulgada pela família da atriz em seu perfil oficial no Instagram, junto de uma mensagem de despedida que resume a dimensão do nome que se vai: uma das pioneiras da televisão brasileira e uma presença histórica da dramaturgia nacional.
A atriz será velada na manhã desta terça-feira, no Funeral Home, na Zona Oeste da capital paulista. A cerimônia começa às 8h e está prevista para terminar às 14h. O velório não será aberto ao público.
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Ver oferta na AmazonNascida no Bixiga, em São Paulo, em 1927, Laurinda de Jesus Cardoso Balleroni começou a carreira ainda adolescente, no radioteatro, aos 15 anos. Ela passou pela Rádio Cosmos e por novelas de rádio antes de estrear na televisão em 1952, no programa “Tribunal do Coração”, na TV Tupi, quando a TV brasileira ainda dava seus primeiros passos.
Ao longo da trajetória, Laura Cardoso acumulou mais de 100 trabalhos, incluindo mais de 60 novelas em emissoras como Tupi, Excelsior, Record, Cultura e Globo. Na Globo, onde estreou em 1981 com “Brilhante”, ela manteve contrato vitalício e esteve afastada das novelas desde 2019.
Entre os papéis mais lembrados estão Isaura, mãe de Ruth e Raquel em “Mulheres de Areia” (1993), e Guiomar, de “A Viagem” (1994). Laura também recebeu reconhecimento importante na carreira, como o Shell de Teatro em 1990 e 1993, a Ordem do Mérito Cultural em 2006 e o Troféu APCA de melhor atriz por sua atuação como Sinhana no remake de “Irmãos Coragem” (1995).
O alcance da atriz foi além da TV. Laura Cardoso fez mais de 20 filmes, atuou em títulos como “Terra Estrangeira” (1995) e “Através da Janela” (2000) — papel que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Miami — e também marcou a dublagem brasileira ao dar voz à personagem Betty, de “Os Flintstones”, nos anos 1960.
Em outubro de 2025, a atriz participou pessoalmente da inauguração de sua estrela na Calçada da Fama dos Estúdios Globo e ainda gravou a tradicional vinheta de fim de ano da emissora. O gesto reforça o tamanho simbólico de sua presença na cultura pop brasileira: Laura Cardoso não foi só uma atriz de novelas, mas uma figura que ajudou a construir a própria memória da TV no país.
O que a notícia confirma é a morte da artista e a despedida de uma trajetória que começou no rádio, atravessou a televisão em sua fase pioneira e seguiu relevante por décadas. O ponto mais forte aqui é o peso histórico: quando uma carreira reúne teatro, cinema, novelas e dublagem, a perda não é apenas de uma atriz, mas de um pedaço da história do entretenimento brasileiro.
Laura costumava tratar a finitude com naturalidade. Em 2006, disse: “A gente se aposenta quando vai embora”. Em entrevista à revista Quem, em 2019, completou: “É uma besteira ter medo da morte!”. As frases ajudam a entender a forma como ela enxergava a própria profissão e a vida pública: com trabalho, disciplina e uma postura direta diante do tempo.










