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Review | Duskfade

Duskfade aposta no familiar e mostra que uma boa execução ainda vale muito

Bastam alguns minutos de Duskfade para entender de onde vêm boa parte de suas inspirações. Espadas enormes, pulos entre paredes, corridas por trilhos, cenários coloridos e aquela movimentação exagerada típica dos jogos clássicos de aventura em 3D.

Duskfade não parece preocupado em esconder suas referências e seu maior acerto está justamente em entender por que tantas dessas ideias funcionavam tão bem e adaptá-las para um jogo moderno, com movimentação mais ágil e uma exploração bastante prazerosa.

O resultado é uma aventura que conversa diretamente com quem sente saudade dos plataformas 3D clássicos, mas que não depende apenas da nostalgia para funcionar.

Uma história sobre família, perda e tempo

A aventura acompanha Zirian, um jovem que acaba de perder seu avô e precisa enfrentar uma nova tragédia quando sua irmã mais velha, Lira, fica presa em uma misteriosa torre do relógio.

O surgimento da estrutura transforma a cidade de Ponteiro e mergulha o lugar em uma noite permanente. Para chegar até Lira, Zirian conta com a ajuda de Cuco, um pássaro de madeira criado pela própria irmã e também uma das últimas lembranças deixadas por seu avô.

Relógios, engrenagens e referências à passagem do tempo aparecem praticamente em todos os aspectos do jogo. Duskfade é descrito pelos próprios desenvolvedores como uma aventura de ação e plataforma com estética Clock Punk, e leva essa proposta bastante a sério.

A história também aborda temas como família e luto de maneira competente, ainda que o verdadeiro destaque da experiência esteja na aventura em si.

Explorar Ponteiro é uma das melhores partes de Duskfade

A cidade de Ponteiro funciona como uma área central conectada a quatro grandes regiões, que precisam ser exploradas antes que o caminho até a torre seja finalmente aberto.

A progressão é relativamente linear, mas o level design faz um bom trabalho em constantemente colocar alguma coisa interessante no campo de visão do jogador.

Você está seguindo o objetivo principal e, de repente, percebe um baú escondido no alto de uma construção, uma passagem suspeita ou algum colecionável brilhando ao longe. Os mapas possuem diversos caminhos alternativos, melhorias de vida e recursos, segredos e diferentes tipos de colecionáveis.

Melhor ainda: coletar esses itens realmente oferece recompensas.

Movimentação transforma a exploração

Se existe um aspecto em que Duskfade realmente brilha, é na movimentação.

Desde o começo, Zirian já possui um conjunto generoso de habilidades. Conforme a campanha avança, novas ferramentas ampliam ainda mais essas possibilidades.

Os ganchos permitem alcançar pontos específicos do cenário rapidamente. Bombas de relógio ajudam a ganhar altura. E existe ainda o relógio de sol, usado para deslizar pelos trilhos espalhados pelos mapas.

É justamente nos trilhos que o sistema de movimentação mostra toda a sua flexibilidade.

Enquanto desliza, Zirian pode abaixar, saltar, atacar, trocar de direção, mudar para outro trilho e combinar o movimento com o gancho. Ao chegar ao final de determinadas sequências, ainda é possível aproveitar o impulso para alcançar áreas distantes.

Por isso, explorar os cenários dificilmente se torna cansativo.

Combate competente

O sistema de combate pode não ser o melhor aspecto de Duskfade, mas é competente.

A base funciona bem. Zirian pode travar a mira nos adversários, atacar com sua espada e realizar esquivas que, quando utilizadas no momento correto, ativam uma breve câmera lenta.

Novos equipamentos também aumentam o arsenal durante a campanha. O Cronodisparo, por exemplo, funciona como uma poderosa descarga de energia a curta distância, enquanto o Pêndulo oferece uma alternativa mais pesada para causar dano.

Os inimigos também possuem padrões próprios e algumas fraquezas específicas.

Chefes são ainda mais interessantes

A situação melhora bastante quando entram em cena os chefes e subchefes.

Esses confrontos conseguem aproveitar melhor as habilidades desbloqueadas ao longo da aventura e costumam apresentar mecânicas específicas.

Em vários momentos, existe aquela clássica sensação de encontrar uma nova ferramenta durante uma aventura e pouco depois enfrentar um chefe desenvolvido justamente para testar se você aprendeu a utilizá-la.

Os chefes são criativos, combinam com o universo de Duskfade e representam alguns dos melhores momentos de combate da campanha.

Duskfade é um resgate dos jogos clássicos 3D

É muito fácil passar uma análise inteira de Duskfade apontando suas referências.

Praticamente todos os seus elementos lembram, de alguma maneira, aventuras e plataformas 3D lançados durante os anos 2000. Mas reduzir o jogo a uma coleção de homenagens seria injusto.

A nostalgia certamente ajuda, porém não é responsável sozinha pela qualidade da experiência.

Duskfade possui uma excelente movimentação, mapas gostosos de explorar, colecionáveis que realmente recompensam a curiosidade e uma direção de arte capaz de recriar aquela imagem idealizada que muita gente guarda dos jogos da era PS2.

Talvez ele não apresente nenhuma grande revolução para os plataformas 3D, mas demonstra algo igualmente importante: a execução bem feita.

Há 10 anos trabalhando com produção de conteúdo, já produzi programas de TV, participei de eventos internacionais e escrevi uma porção de reviews por aí.