A quinta temporada de Call of Duty: Black Ops 6 e Warzone chegou para sacudir (ou pelo menos tentar) novamente Verdansk, trazendo mudanças no mapa, novos conteúdos temáticos e uma boa dose de nostalgia que conversa diretamente com os fãs de filmes de ação dos anos 90. Porém, junto com algumas novidades empolgantes, também vieram algumas decisões questionáveis que dividem a comunidade, especialmente no que diz respeito ao modelo de monetização.
Neste review, avaliamos a temporada como uma experiência sólida e divertida em muitos aspectos, mas que tropeça em pontos importantes de balanceamento, acessibilidade e repetição de fórmulas.

A grande novidade: o Estádio de Verdansk se transforma
O Estádio de Verdansk, antes um ponto relativamente secundário do mapa, agora ganha protagonismo absoluto com a abertura de uma base militar secreta chamada Protocolo Abyss, escondida logo abaixo do gramado. A revelação não é apenas cosmética: muda radicalmente a dinâmica do mapa, transformando o estádio em um campo de batalha vertical, com múltiplos níveis, corredores estreitos e áreas de confronto direto.
A missão Satellite Highjack, exclusiva e limitada, é o principal chamariz dessa mudança. Ela exige coordenação, estratégia e sangue-frio para invadir a instalação e impedir o lançamento de uma arma devastadora. O resultado é uma jogabilidade intensa e imprevisível, que revitaliza Verdansk e dá novo fôlego ao battle royale.
No entanto, embora a novidade seja empolgante, a verticalidade extrema do local pode frustrar quem prefere confrontos mais abertos. O ritmo, em certas situações, torna-se caótico demais, beneficiando equipes já bem coordenadas e punindo os casuais.
O charme da nostalgia: 90s Action Heroes
Um dos pontos altos da temporada é o evento 90s Action Heroes, uma carta de amor aos fãs da cultura pop. Skins, emblemas e a arma corpo-a-corpo Boxing Gloves chegam embalados por referências diretas a ícones como Duro de Matar e Rambo.
Esse clima de exagero e explosões hollywoodianas traz uma leveza divertida para contrastar com a seriedade do enredo militar. É um respiro criativo, que mostra que a Activision quer jogar com a nostalgia para cativar veteranos e novos jogadores.
Ainda assim, para além das recompensas cosméticas, o evento não oferece grandes inovações de jogabilidade. Funciona mais como tempero do que como prato principal.
BlackCell: benefícios atrativos, mas preço salgado
A temporada marca também o retorno do BlackCell, o passe premium que promete recompensas exclusivas, mais de 7.000 Pontos COD em conteúdo e bônus de fidelidade que chegam a 50% de XP adicional em temporadas futuras.
Na prática, o BlackCell é vantajoso para quem já investe regularmente no jogo. Contudo, para os casuais, o custo elevado levanta a velha questão: até que ponto o sistema não está aprofundando a divisão entre pagantes e gratuitos?
É uma jogada de mercado eficiente, mas que prejudica a sensação de equilíbrio entre a comunidade. Muitos enxergam o BlackCell como um passo além da simples personalização, roçando em pay-to-win de forma sutil.
Passe de Batalha: estrutura sólida, mas sem grandes surpresas

O Passe de Batalha da Temporada 5 mantém a mesma fórmula já conhecida, com skins exclusivas, emblemas e armas inéditas. A progressão permite recuperar até 1.100 Pontos COD, o que possibilita adquirir a próxima temporada sem custo, desde que você mantenha ritmo de grind consistente.
A estrutura continua bem construída, com desafios semanais e diários que incentivam a variar os modos de jogo. A integração direta com Black Ops 6 é um dos pontos positivos, permitindo compartilhar armas e operadores entre o multiplayer e o Warzone. Essa sinergia fortalece a sensação de continuidade entre as duas experiências.
Por outro lado, a falta de inovações mais ousadas no sistema de progressão começa a pesar. Quem já acompanha a franquia há anos pode sentir que está apenas repetindo tarefas com roupagens diferentes.
Narrativa mais densa: conspirações e espionagem
Um dos elementos mais interessantes é o aprofundamento da narrativa. A presença do Protocolo Abyss e da ameaça de uma arma secreta insere camadas de espionagem e guerra psicológica típicas da série Black Ops.
Diferente de temporadas anteriores, a história aqui ganha mais peso. Os jogadores não estão apenas em tiroteios aleatórios, mas participam de um enredo de conspiração militar que avança com eventos in-game. Essa tentativa de storytelling é louvável, ainda que em alguns momentos a execução soe superficial.
Performance e experiência técnica
Em termos técnicos, a temporada mantém o padrão alto da franquia. Os gráficos seguem impressionantes, os mapas rodam de forma fluida e as armas possuem um design bem trabalhado. Contudo, problemas de balanceamento continuam aparecendo, especialmente em armas que chegam fortes demais e só depois recebem nerfs.
A comunidade, já acostumada com esses ciclos de ajustes, cobra maior cuidado para evitar que certas metralhadoras ou fuzis dominem o meta de forma exagerada logo no lançamento.
Ainda assim, é algo que atrapalha bastante a experiência casual, já que para se manter no meta, você deve constantemente se atualizar sobre as mudanças no balanceamento do jogo.
Veredito: uma temporada divertida, mas desigual
A Temporada 5 de Call of Duty: Black Ops 6 e Warzone é um pacote sólido, que entrega diversão, nostalgia e boas mudanças de mapa. O Estádio de Verdansk renovado e o evento 90s Action Heroes são destaques claros.
Por outro lado, a dependência crescente de modelos premium como o BlackCell e a sensação de repetição no Passe de Batalha deixam um gosto agridoce. É uma temporada que certamente diverte, mas que não consegue evitar a impressão de que a franquia poderia arriscar mais.
O review da Temporada 5 de Call of Duty: Black Ops 6 e Warzone foi realizado com uma chave do jogo para PS5 cedida pela Activision. O título encontra-se disponível para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC.










