Cena em 3D mostrando os Hashiras reunidos em Demon Slayer -Kimetsu no Yaiba- The Hinokami Chronicles 2, com personagens em postura séria dentro de uma sala iluminada.
Os Hashiras chegaram em peso no novo jogo de Demon Slayer! ⚔️🔥 Prontos para defender a humanidade, os pilares dão vida às batalhas mais intensas em The Hinokami Chronicles 2.

Review | Demon Slayer -Kimetsu no Yaiba- The Hinokami Chronicles 2

Continuação entrega combates estilosos e fan service, mas tropeça na simplicidade

Quem cresceu vendo Naruto clássico e depois acompanhou a saga até o fim de Shippuden sabe bem como os jogos podem se tornar uma extensão da experiência de assistir anime. Eu mesmo platinei quase todos os títulos da franquia no PlayStation e ainda hoje considero a série Ultimate Ninja Storm um dos melhores exemplos de adaptação de anime para videogames.

Por isso, quando a CyberConnect2, o mesmo estúdio responsável por Naruto, anunciou a continuação de Demon Slayer -Kimetsu no Yaiba- The Hinokami Chronicles, minhas expectativas foram lá para cima. Já tinha testado o game antecipadamente na gamescom latam e saí com a sensação de que ele poderia ser o “Storm” de uma nova geração de fãs. Afinal, Demon Slayer é um dos maiores fenômenos atuais do anime e do mangá, com uma base de fãs gigantesca e um apelo visual que parece feito sob medida para os videogames.

O resultado final, no entanto, me deixou dividido. O jogo é divertido e bonito, mas também simples e limitado. Ao longo desta review, vou destrinchar o que funciona, o que não funciona e por que o game acabou ficando preso entre a nostalgia de Naruto e a grandiosidade do próprio anime Demon Slayer.

Cena em 3D mostrando os Hashiras reunidos em Demon Slayer -Kimetsu no Yaiba- The Hinokami Chronicles 2, com personagens em postura séria dentro de uma sala iluminada.
Os Hashiras chegaram em peso no novo jogo de Demon Slayer!
Prontos para defender a humanidade, os pilares dão vida às batalhas mais intensas em The Hinokami Chronicles 2.

História: um replay luxuoso que não surpreende

Assim como no primeiro jogo, The Hinokami Chronicles 2 reconta os eventos do anime. A campanha cobre os arcos do Distrito do Entretenimento, da Vila dos Ferreiros e do Treinamento dos Hashira, chegando até o ponto em que o anime parou. Para os fãs, é um deleite reviver esses momentos. Para quem nunca viu Demon Slayer, funciona como um resumo competente.

A campanha dura de 6 a 8 horas e é marcada por cutscenes bem produzidas, diálogos dublados (em japonês ou inglês) e sequências de quick time events que recriam os confrontos mais emblemáticos. Tudo é feito com a assinatura da CyberConnect2: cenas cinematográficas que deixam o jogador se sentindo dentro do anime.

O problema é que, como o anime já é impecável tecnicamente, as cutscenes do jogo não chegam a superá-lo. Diferente do que acontecia em Naruto, em que os jogos às vezes tinham animações mais consistentes que o próprio anime, aqui o material original já é tão grandioso que o game parece apenas “competente”.

Outro detalhe negativo: não existem legendas em português do Brasil. Isso é grave. Demon Slayer é um dos animes mais populares do país, e a ausência de localização mostra falta de atenção com um público enorme que poderia se engajar ainda mais com o jogo.

Estrutura da campanha: simples, mas funcional

A progressão segue um ritmo bem familiar para quem já jogou outros títulos do estúdio. Entre as cutscenes e lutas principais, o jogador percorre áreas pequenas, conversa com NPCs, coleta itens e cumpre missões secundárias.

No Distrito do Entretenimento, por exemplo, a investigação de desaparecimentos dá um tom de exploração leve, com alguns diálogos que ajudam a criar clima. Essas partes são curtas, mas dão uma pausa interessante entre as batalhas. Também existem missões secundárias que, embora simples, aumentam o tempo de jogo e desbloqueiam lutas extras.

Apesar de ser tudo funcional, a sensação é de que a campanha é curta e linear demais. A cada exploração, já sabemos que logo virá uma grande luta contra um vilão, e esse ciclo acaba se tornando previsível. A estrutura lembra muito a de Naruto Ultimate Ninja Storm 2 e 3, mas sem a mesma variedade de personagens e situações.

Outro ponto: a dificuldade. O jogo opta por manter tudo acessível, sem picos bruscos de desafio. Para muitos jogadores isso é bom, mas quem procura um modo realmente difícil vai sentir falta. A presença de equipamentos que concedem habilidades extras facilita ainda mais os combates, e embora exista a possibilidade de montar combinações interessantes, não chega a aprofundar o sistema de forma significativa.

Jogabilidade: espetáculo visual, mas raso em mecânicas

Cena de combate em Demon Slayer -Kimetsu no Yaiba- The Hinokami Chronicles 2, mostrando personagens executando golpes com efeitos visuais verdes, roxos e dourados contra demônios em uma arena escura.
As batalhas de Demon Slayer – The Hinokami Chronicles 2 transformam cada golpe em um show de cores e efeitos especiais, puro fan service para quem sonhava em controlar os Hashiras.

O coração do jogo está nas batalhas em arena. Os controles seguem a cartilha básica: ataques simples, ataques especiais, defesa e esquiva. As técnicas de respiração são fáceis de executar, e em poucos minutos qualquer jogador já consegue soltar golpes estilosos que enchem a tela de efeitos.

Isso tem dois lados. O positivo é que o game é extremamente acessível, qualquer fã pode se sentir poderoso em pouco tempo. O negativo é que não existe profundidade para quem busca mais estratégia ou domínio técnico. Não há combos complexos, cancelamentos avançados ou sistemas elaborados de defesa. É um jogo para “soltar golpes bonitos” e se divertir, mas que rapidamente se mostra limitado em comparação a outros jogos de luta.

Durante a campanha, mini-games e missões de exploração ajudam a quebrar o ritmo, mas novamente a simplicidade impera.

Multiplayer: diversão instantânea, frustração online

O multiplayer é um dos pontos mais legais e também mais frustrantes. Localmente, jogar com amigos é uma experiência super divertida, especialmente porque o jogo traz um elenco vasto de personagens com diferentes versões e estilos. A divisão entre caçadores e demônios, que não podem ser misturados em duplas, dá um toque de autenticidade interessante.

No online, a história muda. Apesar de ter modos casuais e ranqueados, não existem servidores na América do Sul. Isso significa partidas com lag frequente, o que compromete a experiência. É um problema recorrente em jogos de anime, mas aqui pesa bastante, já que a proposta de jogar competitivo online fica quase inviável para muitos brasileiros.

Aspectos técnicos e artísticos: destruição de cenários

Visualmente, o jogo cumpre o que promete. Os personagens em 3D mantêm o estilo do anime, com detalhes de roupas, expressões e efeitos de golpes bem impressionantes. As animações de finalização durante os combates são espetaculares, e a trilha sonora emprestada do anime ajuda a criar a atmosfera épica.

Tecnicamente, o jogo roda bem no PS5, sem quedas de desempenho e sem precisar escolher entre “modo performance” ou “qualidade”. Essa estabilidade é um acerto importante.

O jogo tem leves destruições de cenário, com golpes que podem queimar ou cavar buracos no solo.

Mas afinal, vale a pena?

Hashira do Amor em Demon Slayer -Kimetsu no Yaiba- The Hinokami Chronicles 2, com expressão determinada e espada empunhada em ataque veloz.
A Hashira do Amor mostrando toda sua força e velocidade em The Hinokami Chronicles 2

Demon Slayer -Kimetsu no Yaiba- The Hinokami Chronicles 2 é um jogo feito de fã para fã. Ele entrega os momentos mais marcantes do anime em cutscenes e batalhas estilizadas, com a assinatura visual da CyberConnect2. Funciona como uma forma de reviver os arcos principais em outro formato e é ótimo para jogar com amigos no sofá.

Mas também é um jogo limitado. Sua simplicidade estrutural, a falta de legendas em português e os problemas no online pesam absolutamente forte contra. A ausência de profundidade na jogabilidade faz com que, após algumas horas, a experiência perca fôlego.

No fim, é um título que vai agradar quem já ama Demon Slayer, e posso afirmar com tranquilidade que é uma experiência definitiva para quem quer reviver a história ou até mesmo conhecer a narrativa e os personagens da franquia pela primeira vez.

Então se a ausência de localização e o multiplayer não forem um problema pra você, vá fundo, pois Demon Slayer -Kimetsu no Yaiba- The Hinokami Chronicles 2 é uma experiência fiel ao que essa saga representa.

Há 10 anos trabalhando com produção de conteúdo, já produzi programas de TV, participei de eventos internacionais e escrevi uma porção de reviews por aí.