Arte promocional de Midnight Murder Club, mostrando uma figura mascarada com chifres e terno segurando um revólver, enquanto outra personagem armada aparece ao fundo em um ambiente iluminado em vermelho.
Arte oficial de Midnight Murder Club

Review | Midnight Murder Club (PS5)

Jogo de tiro e festa da Velan Studios mostra boas ideias, mas repetição e falta de conteúdo atrapalham a experiência

Quando Midnight Murder Club foi anunciado pela Velan Studios, muita gente ficou intrigada com a proposta: um jogo que mistura elementos de party game, shooter em primeira pessoa e horror de atmosfera, tudo dentro de uma mansão mal-assombrada mergulhada em escuridão quase total. A ideia parecia fresca, principalmente ao abraçar a simplicidade de reunir amigos para partidas rápidas, caóticas e cheias de risadas nervosas.

Agora, com a versão final no PlayStation 5, é hora de avaliar o resultado. Apesar da criatividade e de alguns momentos realmente divertidos, Midnight Murder Club acaba sendo um título que entrega boas sessões casuais, mas esbarra em limitações graves: falta de conteúdo, repetição excessiva e um design que não sustenta a experiência no longo prazo.

Arte promocional de Midnight Murder Club, mostrando uma figura mascarada com chifres e terno segurando um revólver, enquanto outra personagem armada aparece ao fundo em um ambiente iluminado em vermelho.
Arte oficial de Midnight Murder Club

O conceito: esconde-esconde mortal na escuridão

A premissa de Midnight Murder Club é simples, mas instigante: seis jogadores entram na mansão de Wormwood para caçar uns aos outros no breu absoluto. Cada um tem à disposição apenas uma lanterna, um revólver e uma faca. O que parece pouco se transforma em partidas tensas e caóticas, já que a escuridão cria uma sensação de paranoia constante.

A qualquer momento, você pode ouvir passos, vozes ou o ranger de portas, mas nunca tem certeza se está diante de um aliado ou inimigo. Quando o silêncio é quebrado por um disparo ou pelo clarão de uma lanterna, a adrenalina dispara. A regra é clara: um único acerto basta para eliminar o adversário.

O diferencial aqui é que a atmosfera de terror não se leva tão a sério. O jogo mistura tensão com humor, e boa parte da diversão surge de situações inusitadas: atirar sem querer em um colega de equipe, gritar ao trombar em alguém no escuro ou ser eliminado por uma armadilha bizarra ativada por uma carta especial.

O coração do jogo: os modos de jogo

Cena de gameplay de Midnight Murder Club no PS5 mostrando um personagem ajoelhado em um quarto escuro, segurando uma lanterna e um revólver, iluminando manequins e parte da mobília.
Em Midnight Murder Club, cada clarão da lanterna pode revelar um inimigo ou atrair a atenção indesejada de outros jogadores na mansão Wormwood.

O conteúdo de Midnight Murder Club se organiza em dois grandes pilares: os modos PvP e o modo PvE cooperativo.

Wildcards – o modo mais criativo

Entre os modos PvP, o destaque fica para o Wildcards (Curingas). Nele, cartas modificam radicalmente as regras da partida. Isso significa que a cada rodada podem surgir efeitos como cabeças gigantes (que facilitam os tiros, mas deixam tudo mais cômico), lanternas mais fortes, incêndios inesperados ou até lustres caindo do teto para esmagar jogadores desavisados.

É caótico, mas justamente esse caos mantém o frescor por algumas horas. Com mais de 40 cartas disponíveis, há variedade de modificadores, mas o problema é que tudo se passa no mesmo mapa. A mansão Wormwood é charmosa em seu design inicial, mas rapidamente se torna repetitiva.

Modos clássicos: diversão passageira

Além do Curingas, há modos clássicos como Free-for-All e Team Deathmatch, que funcionam bem dentro da proposta arcade. As partidas são curtas, com cerca de seis minutos, o que incentiva o ritmo rápido e as risadas. O fogo amigo está sempre ativado, o que adiciona tensão, mas também frustra em alguns momentos.

Outro modo interessante é Roubo na Escuridão, em que times competem por tesouros escondidos na mansão. Aqui, a jogabilidade ganha mais estratégia, já que morrer significa perder todo o saque acumulado.

Já o Caça-Cabeças decepciona: lento, monótono e mal balanceado, é um modo que parece arrastar a experiência em vez de acrescentar.

Graveyard Shift – o PvE cooperativo

Para quem prefere enfrentar monstros em vez de amigos, há o Graveyard Shift (Além da Meia-Noite). Esse modo traz ondas de inimigos como caveiras flamejantes e sombras invisíveis, além de objetivos como destruir totens ou coletar relíquias. A cada rodada, bençãos e maldições mudam as regras, tentando renovar a jogabilidade.

Na prática, é divertido por algumas sessões, mas rapidamente sofre do mesmo problema dos outros modos: repetição. A falta de variedade de mapas e inimigos prejudica o apelo de longo prazo.

Atmosfera, áudio e controles no PS5

Se tem algo que Midnight Murder Club faz bem, é criar clima. O uso do som direcional e do chat de proximidade é brilhante: ouvir alguém sussurrando em outro cômodo ou rindo nervosamente no fone cria momentos únicos.

No PS5, o uso do DualSense ajuda a aumentar a imersão. O gatilho adaptativo adiciona peso ao disparo do revólver, e o feedback tátil transmite a sensação de esbarrar em móveis na escuridão. São pequenos detalhes que tornam a experiência mais envolvente.

Visualmente, o jogo não impressiona, mas cumpre seu papel. A mansão é escura, propositalmente limitada, e os efeitos de luz são competentes. O problema é que, fora isso, não há muito o que destacar.

A questão do conteúdo e da longevidade

Cena de gameplay de Midnight Murder Club no PS5 mostrando um jogador armado com revólver enfrentando uma caveira flamejante que flutua em um corredor escuro da mansão.
As caveiras flamejantes estão entre os inimigos mais perigosos do modo PvE de Midnight Murder Club, exigindo atenção constante em cada corredor da mansão.

Aqui está o maior problema do jogo. Apesar da criatividade inicial, Midnight Murder Club carece de conteúdo. Ter apenas um mapa principal limita fortemente o fator replay. Mesmo com as cartas de modificadores e a alternância de modos, a repetição se instala rapidamente.

Outro ponto é a ausência de progressão significativa. Não há sistema de níveis, desbloqueios relevantes ou personalização profunda que motive o jogador a continuar. É um jogo pensado claramente para sessões ocasionais com amigos, e nada além disso.

O preço e a proposta acessível

Um dos grandes acertos é o modelo de compra. Por cerca de R$ 56,90, você pode convidar até cinco amigos gratuitamente para jogar junto, mesmo que não tenham o jogo. É uma iniciativa excelente para um título que depende tanto do fator social.

No entanto, jogar com desconhecidos em partidas públicas não é tão divertido, e os bots não suprem essa ausência, já que têm inteligência artificial limitada. Ou seja, se você não tiver amigos disponíveis, grande parte da experiência se perde.

Boas risadas, mas pouco fôlego

Midnight Murder Club é aquele tipo de jogo que pode brilhar em uma noite de sexta-feira com amigos, rendendo boas risadas e histórias para contar. No entanto, sua falta de conteúdo, modos inconsistentes e repetição constante impedem que seja algo duradouro.

No PS5, o uso do DualSense e o áudio 3D agregam bastante, mas não salvam a experiência de se tornar cansativa após algumas horas. É um título divertido para jogar em grupo, mas difícil de recomendar como compra obrigatória, principalmente para quem busca profundidade ou experiências solo.

Mesmo assim, vale a pena o dinheiro investido, ainda mais se você encontrar uma boa promoção.

Esta análise da versão de PS5 foi feita com um código fornecido gentilmente pela Sony Interactive Entertainment.