Goku com aura azul intensa na forma Ultra Instinct de Dragon Ball Super, usado como exemplo de personagem icônico mas superestimado narrativamente
Poder impressionante, mas desenvolvimento de personagem raso: será que Goku merece tanto hype?

Por Que Esses Personagens de Anime São Superestimados? A Verdade Que Ninguém Conta

Por que alguns dos heróis mais amados da cultura otaku podem não merecer tanto hype assim

Vamos combinar: todo fã de anime tem aquele personagem que, no fundo, acha meio superestimado. Aquele que todos elogiam, que está em todos os tops, que virou símbolo da cultura pop… mas que, quando você para pra pensar, não fez tanto assim. Não estamos falando de personagens ruins — longe disso. Estamos falando daqueles que ganharam um pedestal tão alto que a gente esquece de olhar com honestidade pro que eles realmente fizeram (ou deixaram de fazer).

Essa matéria não é pra acabar com a sua infância. É pra provocar aquela reflexão gostosa: será que a gente ama esses personagens pelo que eles são, ou pelo que a gente sente quando pensa neles? Spoiler: às vezes, é só nostalgia falando mais alto.

Por que a gente superestima personagens?

Antes de entrar na lista polêmica, vale entender o contexto. Superestimar um personagem não significa que ele é ruim — significa que a percepção dele ultrapassou o que a narrativa realmente entrega. Isso acontece por vários motivos:

  • Nostalgia: muitos personagens marcaram nossa adolescência, e é difícil separar a emoção da análise crítica.
  • Marketing e viralização: alguns viraram produtos antes de virarem ícones narrativos.
  • Primazia: ser o primeiro a fazer algo não significa ser o melhor — mas muitas vezes a gente dá crédito eterno por isso.
  • Carisma acima de substância: tem personagem que é carismático, engraçado, icônico… mas raso como uma poça d’água.

Agora sim, vamos aos nomes.

Goku (Dragon Ball)

Sim, eu sei. Eu também cresci assistindo Dragon Ball Z. Mas vamos ser sinceros: Goku é um herói bidimensional que praticamente não evolui como personagem ao longo de décadas de história. Ele ama lutar, come pra caramba, esquece que tem família e resolve tudo na base do poder. Não há dilemas morais complexos, não há crescimento emocional real. Ele é puro id.

O que torna Goku lendário não é a profundidade — é o impacto cultural. Ele abriu portas. Mas como personagem, há dezenas de protagonistas shonen mais interessantes hoje em dia. A gente só não admite porque ele veio primeiro.

Levi Ackerman (Attack on Titan)

Levi é cool. Levi é badass. Levi tem cenas de ação incríveis. Mas Levi tem… o quê, exatamente, além disso? Ele é o arquétipo do “guerreiro sério e traumatizado”, mas a série raramente explora isso com a profundidade que personagens como Reiner ou Eren recebem. Ele funciona mais como uma peça de xadrez temática do que como um ser humano complexo.

A popularidade absurda do Levi tem muito mais a ver com design, aura e momentos visuais marcantes do que com desenvolvimento narrativo consistente. E tudo bem — mas vamos reconhecer isso.

Sasuke Uchiha (Naruto)

Sasuke é o exemplo clássico de personagem que a trama insiste que você deve achar importante, interessante e trágico… mas que passa boa parte da obra sendo apenas teimoso, egoísta e irritante. Sim, o trauma dele é real. Sim, a sede de vingança faz sentido no contexto. Mas a quantidade de arcos que giram em torno de “salvar o Sasuke” chega a cansar — especialmente quando ele próprio não demonstra querer ser salvo.

Sasuke funciona melhor como ideia (a sombra do protagonista, o caminho alternativo) do que como personagem em si. E o final dele em Boruto só confirma: ele continua distante, ausente, problemático. A redenção nunca convence de verdade.

Kirito (Sword Art Online)

Ah, Kirito. O Gary Stu dos isekai. Ele é bom em tudo. Todas as garotas se apaixonam por ele. Ele sempre encontra a solução. Ele nunca erra de verdade. Sword Art Online tem premissas interessantes, mas Kirito é o peso morto narrativo que impede a série de decolar.

O problema não é ser forte — é ser forte sem custo. Não há falha, não há vulnerabilidade real, não há momento em que você pensa “caramba, e agora?”. Tudo se resolve porque Kirito é Kirito. E isso, convenhamos, é entediante.

Light Yagami (Death Note)

Espera, Light? Sim. Ele é brilhante, manipulador, carismático — mas também é o protagonista mais superestimado do thriller psicológico. Por quê? Porque o anime faz você achar que ele é um gênio… quando na verdade ele só tem sorte. Muitas das vitórias de Light dependem de coincidências absurdas, de adversários que agem de forma burra no momento certo, ou de plot armor travestido de “plano mestre”.

Ele é fascinante nos primeiros arcos, mas conforme a trama avança, fica claro que o roteiro dobra a realidade pra ele parecer mais esperto do que realmente é. E isso quebra a suspensão de descrença.

Sung Jin Woo (Solo Leveling)

Sung Jin Woo é o protagonista de Solo Leveling, e sim, ele é absurdamente cool. As cenas de ação são épicas, o design é impecável, e assistir ele evoluir de “caçador mais fraco” pra literalmente o mais forte é satisfatório. Mas vamos ser honestos: ele existe pra isso. Pra farmar aura.

O problema de Jin Woo não é a falta de poder — é a falta de tudo mais. Ele não tem conflitos internos reais após o início. Não há questionamento moral profundo sobre o que significa controlar um exército de mortos. Não há vulnerabilidade emocional genuína. Ele simplesmente fica mais forte, mais frio, mais poderoso, e todas as ameaças caem diante dele como dominós. É power fantasy pura.

E olha, power fantasy não é ruim. Mas quando a única característica de um personagem é “ser OP e ter aura”, ele se torna… previsível. Unidimensional. Você assiste pra ver a próxima cena épica, não pra ver quem ele é. E isso é exatamente o oposto do que faz um personagem memorável.

Mas e o que torna um personagem realmente bom?

Pra finalizar sem deixar só a bad vibe: o que faz um personagem ser memorável de verdade?

  • Vulnerabilidade: personagens que erram, que duvidam, que sofrem consequências reais.
  • Mudança: arcos que transformam quem eles são, não só o que eles podem fazer.
  • Coerência emocional: ações que fazem sentido com a psicologia do personagem, mesmo quando são erradas.
  • Impacto narrativo: eles movem a história, mas a história também os move.

Personagens como Thorfinn (Vinland Saga), Violet Evergarden, Mob (Mob Psycho 100) ou Shinji Ikari (Evangelion) exemplificam isso. Eles não são perfeitos — e é exatamente por isso que são inesquecíveis.

Reflexão Final

Olha, eu também gosto desses personagens. Goku marcou minha infância. Levi tem cenas que me arrepiam. Light é fascinante de assistir. Eu entendo perfeitamente por que a galera ama cada um deles — porque eu amo também, pelos mesmos motivos. Mas gostar de algo e saber analisar criticamente são coisas diferentes. Uma não anula a outra.

Reconhecer que um personagem é superestimado não é traição. É maturidade crítica. É separar o que sentimos do que está realmente ali na tela. E tudo bem amar um personagem mesmo sabendo que ele tem falhas narrativas — afinal, a emoção que ele desperta em você é real, mesmo que o desenvolvimento dele não seja lá essas coisas.

O importante é manter o debate vivo, saudável e honesto. Porque no fim das contas, é isso que faz a gente amar anime: a paixão, a discordância, o “você tá maluco, mano!” gritado entre amigos. E se essa matéria te irritou… bom, missão cumprida. 😏