Em meados de março de 2025, a FuriosaAI recusou uma oferta de US$ 800 milhões da Meta — não por dinheiro, mas por conflitos de estratégia e governança pós-aquisição.
O CEO June Paik explicou com clareza:
“Queremos continuar nossa missão. A oportunidade de tornar a computação de IA mais sustentável é impactante”.

O pedido da LG e a validação técnica
Após sete meses de testes rigorosos, a LG AI Research aprovou o chip RNGD da FuriosaAI para rodar seu modelo híbrido EXAONE 4.0.
Motivos:
- 2,25 vezes mais performance por watt em inferência de LLMs versus GPUs tradicionais
- 3,75 vezes mais tokens por rack, mantendo o mesmo consumo energético
- Ideal para deploy on-premise, reduzindo TCO e garantindo soberania sobre o stack de IA
Qualificações e eficiência por dentro
O chip RNGD, pronuncia-se “Renegade”, é um inference accelerator que traz:
- Arquitetura Tensor Contraction Processor em 5 nm (TSMC)
- Até 512 TFLOPS FP8 e TDP de cerca de 180 W
- Eficiência de aproximadamente 1,4 TFLOPS por watt, rivalizando com GPUs modernas da Nvidia
- Cada rack comporta até cinco servidores de 4U, cada um com oito chips, otimizando densidade energética
Depoimentos que pesam
Kijeong Jeon, líder de produto da LG AI Research, enfatizou:
“RNGD oferece desempenho real excelente, uma redução drástica no custo total de propriedade e uma integração surpreendentemente simples”.
June Paik, CEO da FuriosaAI, resumiu:
“Nos últimos oito anos, trabalhamos duro da P&D até o produto. Agora, esse momento marca que estamos prontos para adoção empresarial”.
O rival em xeque: Nvidia
Até 2023, a Nvidia tinha 98% do mercado de GPUs para data centers. Mas a FuriosaAI entrou direto na briga:
- Inferência é a porta de entrada: é mais acessível e escalável que treinamento, com mercado estimado em US$ 106 bilhões em 2025 e previsão de US$ 255 bilhões até 2030
- Chassis eficientes, racks densos, custo energético otimizado — a proposta é objetiva: “Contra a Nvidia, mas sem reinventar a roda”
O impacto na indústria e nos games
Combate à dependência da Nvidia
A adoção pela LG valida uma alternativa viável em larga escala — o que pode abrir caminho para uso em consoles, co-processadores de videogame e motores AAA que se beneficiam de inferência de baixa latência.
Se empresas como a FuriosaAI ganharem mercado, games com IA generativa, diálogos dinâmicos e realismo procedural podem se tornar mais acessíveis.
Soberania tecnológica e geopolítica
A FuriosaAI é uma startup coreana com postura firme de autonomia. A resistência em se fundir com a Meta reforça o discurso de independência e confiança regional.
Uma LG equipada com chips locais pode fomentar um ecossistema asiático mais forte e menos dependente da cadeia ocidental, incluindo cenários gamers que atendem aos públicos coreano, japonês e chinês.
O que vem pela frente
- Produção em massa dos chips a partir do segundo semestre de 2025
- Expansão global com foco em EUA, Sudeste Asiático e Oriente Médio
- Expectativa de novos contratos com empresas como Saudi Aramco e parcerias com provedores de nuvem
- Rodada de captação prevista para ainda este ano, na casa dos US$ 48 milhões
A FuriosaAI deu um ponto final na tentativa de ser absorvida pela Meta e ergueu um desafio ao domínio absoluto da Nvidia.
Com o contrato da LG, performance duas vezes melhor por watt, integração empresarial pronta e capacidade de escala, a startup mostra que é uma aposta séria.
Isso muda o jogo, especialmente para setores que dependem de inferência de IA — como games, streaming, e criação de conteúdo dinâmico.
E o melhor: com controle regional e visão de longo prazo.










