Skatista realizando uma manobra em uma pista de skate indoor, com visual industrial e iluminação dramática no jogo Tony Hawk’s Pro Skater 3+4.
O remake de Tony Hawk’s Pro Skater 3+4 impressiona pela jogabilidade fluida e visual retrabalhado, mas nem todas as escolhas agradam os fãs mais nostálgicos.

Tony Hawk’s Pro Skater 3+4: um retorno imperfeito, mas sincero

Um remake divertido e nostálgico que acerta na jogabilidade, mas erra ao tentar unificar estilos distintos da franquia.

Antes de falar do jogo em si, preciso confessar: nunca andei de skate de verdade. Mas o skate, para mim, sempre foi mais do que uma prancha com rodinhas. Foi estilo de vida, foi trilha sonora da adolescência e, principalmente, foi videogame.

Cresci jogando todos os clássicos da série Tony Hawk’s Pro Skater, mas o que ficou gravado na memória — e no coração — foi Tony Hawk’s Pro Skater 3, no Nintendo 64. Eu não tinha dinheiro para comprar a fita, então minha mãe me levava para alugar o cartucho no fim de semana. E ali eu passava horas e horas tentando bater os objetivos, decorando as fases, me sentindo parte daquele universo.

Tony Hawk’s Pro Skater 3 – Nintendo 64 | Reprodução/Internet

Mesmo sem pegar num skate de verdade, a cultura me pegou em cheio. Comecei a ouvir bandas como Charlie Brown Jr. e outras da trilha do jogo, e até meu jeito de me vestir mudou — bermudões, tênis largos, camisetas de marcas de surfe e skate. Era o pacote completo.

Por isso, quando Tony Hawk’s Pro Skater 3+4 foi anunciado, o hype bateu forte. Mas será que esse remake entrega tudo o que os fãs esperavam?

A base já era boa — e continua sendo

Se você jogou o remake de THPS 1+2, vai se sentir em casa. A jogabilidade continua incrivelmente precisa, fluida e responsiva. Em minutos, você já está mandando flips, grinds e reverts como se estivesse nos anos 2000 de novo.

No PS5, onde pude testar o jogo graças a uma chave cedida pelo time da Theogames, o desempenho técnico é sólido, para a surpresa de 0 pessoas. Framerate estável, gráficos competentes e modelos de skatistas bem detalhados. As pistas clássicas estão visualmente repaginadas, mas ainda reconhecíveis para os veteranos.

Dois jogos, duas filosofias… uma decisão polêmica

O ponto mais divisivo do remake é sua decisão estrutural: todas as fases — inclusive as de THPS 4 — seguem o formato do THPS 3. Ou seja, nada de explorar livremente os mapas ou aceitar missões com NPCs. Tudo volta a ser cronometrado, com desafios dentro de dois minutos.

Tony Hawk’s Pro Skater 3 + 4 | Reprodução/Activision

Isso funciona bem nas fases originalmente feitas para isso. Mas descaracteriza completamente o espírito mais livre e aberto do quarto jogo. Fica a sensação de que a escolha de unificar os dois estilos tirou um pouco da alma do pacote.

Novidades, Brasil em destaque e vida longa ao jogo

Apesar das ausências, há novidades que valem ser celebradas. Fases inéditas como o Parque Aquático e o estágio Pinball são criativas, bem desenhadas e cheias de segredos.

A representatividade brasileira também merece aplausos. Bob Burnquist retorna com sua presença lendária, e as adições de Letícia Bufoni e Rayssa Leal conectam gerações de skatistas — reais e virtuais.

Tony Hawk’s Pro Skater 3 + 4 | Reprodução/Activision

O conteúdo adicional também é robusto: desafios extras, desbloqueáveis, itens de customização e um editor de fases mais completo garantem horas de gameplay. O multiplayer online é simples, mas funcional. Só se prepare para levar uma surra dos jogadores que parecem viver exclusivamente para bater recordes.

A trilha sonora que nos traiu

Se existe um ponto realmente decepcionante, é a trilha sonora. Apenas 10 faixas clássicas foram mantidas. O resto foi substituído por músicas novas.

Tony Hawk justificou que queria abrir espaço para novas bandas. Pode até ser um argumento válido, mas soa como oportunidade perdida. Por que não manter as músicas icônicas e ainda incluir as novas? A trilha sonora era o coração da franquia. E aqui, infelizmente, ela bate mais fraco.

Veredito final

Tony Hawk’s Pro Skater 3+4 é um remake que acerta em cheio na jogabilidade, oferece bom conteúdo e celebra a cultura do skate com respeito — mas toma decisões que dividem fãs antigos. A escolha de aplicar o formato do THPS 3 em todas as fases e a trilha sonora capada tiram brilho de uma experiência que tinha potencial para ser definitiva.

Ainda assim, é um jogo fácil de recomendar. Seja você um veterano com dedos calejados de reverter combos impossíveis, ou um novato curioso com a fama dessa lenda dos videogames, há diversão de sobra.

No fim das contas, THPS 3+4 é como aquele amigo de infância que mudou um pouco, mas ainda te faz rir e lembrar por que vocês se davam tão bem. E para mim, isso já vale o play.