Personagem de Call of Duty: Black Ops 6 em arte promocional da Season 4, com visual agressivo e fundo roxo escuro.
Imagem promocional de Call of Duty: Black Ops 6, destacando personagem da Season 4.

“Nem os devs aguentam mais”: Call of Duty HQ é detonado até internamente, mas Activision continua forçando uso

Diretor da Sledgehammer diz em live o que todo mundo já sabe: o launcher Call of Duty HQ “é uma droga”, mas Activision continua forçando sua adoção.

Diretor criativo da Sledgehammer Games admite que ninguém gosta do launcher Call of Duty HQ, expondo frustração da comunidade e dos próprios desenvolvedores.


O Call of Duty HQ, lançado pela Activision como um hub central para acessar diferentes jogos e modos da franquia — como Modern Warfare II, Modern Warfare III, Warzone e DMZ — virou alvo constante de críticas dos jogadores desde sua implementação. Mas agora, até os próprios desenvolvedores admitiram publicamente o óbvio: ninguém gosta dessa interface.

Tela do launcher Call of Duty HQ com destaque para Warzone, Modern Warfare II e Modern Warfare III.
Imagem do Call of Duty HQ exibindo os principais jogos da franquia atual, em interface centralizada.

Durante uma live recente, Greg Reisdorf, diretor criativo da Sledgehammer Games, soltou a frase que viralizou nas redes:

We all know Call of Duty HQ sucks.
(“Todos sabemos que o Call of Duty HQ é uma droga.”)

Apesar da sinceridade, a Activision não demonstrou intenção de abandonar o HQ ou oferecer uma forma mais direta de acessar os jogos individualmente.


O que é o Call of Duty HQ?

O Call of Duty HQ é um launcher obrigatório implementado pela Activision para unificar os títulos da franquia mais recente. A ideia seria facilitar o acesso a todos os modos e jogos em um só lugar — mas, na prática, criou um labirinto confuso e comercial.

Mesmo quem comprou apenas Modern Warfare II ou MW3, por exemplo, é forçado a passar por esse hub e visualizar menus de modos que não possui, como Warzone ou outros pacotes pagos. Ao clicar, o HQ redireciona para compras ou instalações, o que muitos jogadores encaram como publicidade disfarçada de menu.


Por que a comunidade detesta?

A lista de reclamações é longa. Entre os pontos mais mencionados pelos jogadores:

  • Interface poluída e confusa
  • Instalações quebradas e downloads redundantes
  • Modos duplicados ou com nomes enganosos
  • Impossibilidade de abrir apenas o jogo comprado
  • Uso forçado do HQ mesmo em experiências single-player

Além disso, há quem critique o peso do launcher e os problemas de desempenho em consoles e PCs menos potentes.


“Serviço” antes do jogo

A centralização no HQ é parte de uma tendência maior na indústria: transformar jogos em plataformas de serviço. A Activision não esconde que o HQ é também um centro de monetização, com integração de passes de batalha, bundles, itens cosméticos e promoções entre os diferentes títulos.

Jogadores veteranos reclamam que a experiência direta de “abrir o jogo e jogar” está sendo substituída por um sistema que lembra mais um e-commerce gamificado do que um menu funcional.


Vai mudar?

Por enquanto, não. Apesar da admissão de Greg Reisdorf, a Activision segue promovendo o HQ como parte do ecossistema Call of Duty. Novas temporadas continuam sendo lançadas dentro da estrutura, e não há indícios de retorno a menus separados ou independentes para cada jogo.

A fala sincera dos desenvolvedores, no entanto, mostra que até internamente existe frustração — algo raro de se ver em empresas desse porte.


Resumindo…

A Activision pode ter tentado criar uma experiência integrada e moderna com o HQ, mas o resultado parece ter afastado até os fãs mais fiéis. O Call of Duty, que já foi sinônimo de acesso rápido e ação imediata, agora começa com propaganda, lentidão e confusão — e nem os próprios devs estão satisfeitos.

A dúvida que fica é: até quando os jogadores vão aceitar essa direção?

Fundador do Bandas de Garagem, projeto que marcou a cena independente no Brasil. Apaixonado por games e cultura digital desde os anos 80, vive conectando música, tecnologia e boas ideias que viram projetos.