The First Berserker: Khazan é o tipo de jogo que não faz concessões. Ele te joga no meio de um mundo cruel, coloca uma arma pesada nas suas mãos e observa se você tem o que é preciso para sobreviver. Desenvolvido pela Nexon, o título entrega uma experiência intensa que bebe da fonte do gênero soulslike, mas constrói sua identidade própria com combate ágil, narrativa forte e uma ambientação opressora.
Jogamos a versão de PlayStation 5 deste que sem dúvidas é um dos jogos mais desafiadores de 2025.

O Chamado do Berserker
Traído pelo império que jurou proteger, Khazan, outrora um herói lendário, retorna como um guerreiro movido pela fúria. Em um mundo corrompido por guerras, criaturas grotescas e ambição desmedida, ele busca vingança — ou redenção — em meio às ruínas de uma civilização que o abandonou.
Sua jornada sangrenta o leva por territórios devastados e segredos enterrados, onde o verdadeiro inimigo pode estar além da lâmina… ou dentro de si mesmo.
A proposta é bem direta: um guerreiro sanguinário massacrando inimigos humanos e monstruosos em combates frenéticos, tudo dentro de um universo sombrio de fantasia medieval. O mundo ao redor e sua mitologia a primeira vista me pareceu algo bem estabelecido, o que me fez questionar se aquele universo tinha algum outro jogo e para minha surpresa sim! Khazan se passa no mesmo universo, cerca de 500 anos antes dos eventos da franquia Dungeon & Fighter, que inclui MMOs online e um jogo de luta 2D estilo Guilty Gear. Inclusive existe uma semelhança evidente na estética entre esses outros jogos e Khazan.
Visualmente, Khazan segue uma linha anime 3D estilizado, mas sem cair no brilho exagerado. Os cenários são escuros, opressivos e bem construídos. Os modelos dos personagens têm presença, e os inimigos e mini-bosses têm personalidade visual suficiente para manter a tensão constante. A ambientação também traz aquele sentimento de mundo quebrado, onde nada é exatamente como parece, e tudo está pronto para te matar. Ainda sobre esses jogos que compartilham o mesmo universo de Khazan, confesso que não conhecia nenhum deles, mas sinceramente e não ter o conhecimento prévio não atrapalha em nada a experiência com Khazan, principalmente por ele ser de um gênero completamente diferente.
Brutal, exigente e recompensador
O ponto central da experiência aqui está no combate. Punitivo e incrivelmente técnico, assim como em outros jogos do gênero cada inimigo é um obstáculo que exige leitura, reflexo e sangue-frio. O jogo aos poucos vai te apresentando suas principais mecânicas, é preciso saber atacar e defender no momento certo, o sistema de parry é bem preciso, e ajuda a não perder postura rapidamente. Além disso, você pode também se esquivar dos ataques e dependendo da sua habilidade se torna muito satisfatório fazê-la no tempo perfeito, e é preciso se adaptar às mecânicas pois aqui cada erro custa caro — às vezes, tudo. Não é um jogo onde você sai esmagando botões. É preciso ter controle e intenção a cada ação.

Sem dor, sem recompensa
Khazan não tem medo de te derrubar, e te derrubar várias vezes. Morri bastante durante minha jornada, especialmente nos chefes, um deles no início da jogatina simplesmente me fez questionar se era humanamente possível derrota-lo, e até surgiu na tela um aviso sugerindo diminuir a dificuldade do jogo, o que não é usual em jogos desse gênero. Eu ignorei completamente o aviso e continuei arduamente batalhando na dificuldade padrão até conseguir. A recompensa pelo esforço é sempre satisfatória, coisa corriqueira em jogadores que gostam de dificuldades elevadas. Existe um sistema chamado Lacrima, equivalente à XP e lembra também recursos de jogos como Sekiro e Elden Ring. Você perde ela ao ser derrotado, mas pode recuperá-la se conseguir voltar até o ponto onde caiu. Porém aqui, se você morrer para um chefe e conseguir causar dano suficiente antes de morrer de novo, o jogo ainda te dá Lacrima bônus. E com isso, poder evoluir mesmo com as derrotas e é uma adição interessante, que te incentiva continuar tentando.

Armas, builds e liberdade estratégica
Durante a gameplay o combate é bem cadenciado. Os impactos são pesados, os sons têm presença, e o feedback visual de cada golpe reforça a sensação viceral que o jogo quer transmitir
No início da jornada o jogo te apresentar a três estilos principais de arma:
Espada e machado, perfeitas para ataques rápidos e sequências agressivas;
A grande espada, que sem dúvidas vão te fazer lembrar do Guts, protagonista do mangá/anime Berserk,. Arma brutal que impõe respeito com golpes lentos mas devastadores;
E a Lança, com alcance superior e ótima para controlar o espaço.
Cada uma dessas armas possui sua própria árvore de habilidades, com combos, ataques especiais e técnicas passivas. Você tem acesso ao longo da jornada diversas formas de upgrade, crafting além de compra de equipamentos. É possível ‘buildar’ Khazan de várias formas, desde um tanque brutal até um duelista técnico e veloz, dependendo das armas, equipamentos e habilidades que você escolhe evoluir. Essa liberdade torna a progressão mais envolvente e dá vontade de experimentar todas as possibilidades para deixar o pronto para qualquer desafio.

Além do combate afiado, Khazan também oferece um sistema de missões que permite revisitar áreas já concluídas, seja para farmar recursos, seja para caçar colecionáveis escondidos. A progressão é extremamente linear — o que pode agradar quem prefere uma jornada mais direta — e a história é clara, sem rodeios, conduzindo o jogador com firmeza pelos eventos principais. No entanto, as missões secundárias acabam reaproveitando cenários das campanhas principais com leves alterações, e alguns inimigos e chefes são reciclados com frequência, o que pode gerar uma sensação de repetição. Ainda assim, esses deslizes não comprometem o todo: The First Berserker: Khazan é uma experiência intensa, bem construída e que merece a atenção de quem busca um RPG de ação desafiador e com muita personalidade.










