Quando o primeiro PlayStation chegou ao Brasil, lá nos anos 90, muita gente não imaginava que estava diante de um símbolo que transformaria para sempre a forma de jogar, reunir amigos e gastar dinheiro.

Hoje, mais de vinte anos depois, a cena se repete a cada nova geração: olhos brilhando, mãos suando para abrir a caixa — e uma pergunta que paira no ar: quanto custa ter esse sonho em casa?
Great games are timeless.
Shuhei Yoshida
Do primeiro PlayStation até o PS5, essa frase faz todo sentido. Cada geração trouxe jogos que atravessaram décadas e marcaram não só gráficos ou tecnologia, mas memórias, amizades e madrugadas inteiras. Do CD cinza girando no PS1, passando pelas tardes no PS2, pelas aventuras cinematográficas do PS3, pelas batalhas online do PS4, até os mundos ultrarrealistas do PS5 — o PlayStation sempre foi mais que um console. Foi, e ainda é, uma máquina do tempo que nos faz apertar Start para sonhar de novo.
Se você já quis ou quer ter um PlayStation, prepare-se: vamos viajar pela história de cada console, comparando o preço de cada geração com o salário mínimo da época — e também o preço médio de um jogo. Uma viagem nostálgica, mas que revela muito sobre o Brasil e o bolso do gamer.
O preço do PlayStation em salários mínimos
Antes de tudo, vale um aviso: estes valores são aproximados, baseados em médias de mercado, matérias da época, importação e dados oficiais. É um retrato geral — mas suficiente para abrir os olhos.
| Console | Ano | Preço | Salário Mínimo | Quantidade |
| PS1 | 1995 | R$ 700 | R$ 100 | ~7 salários |
| PS2 | 2000 | R$ 1.000 | R$ 151 | ~6,6 salários |
| PS3 | 2006 | R$ 2.999 | R$ 350 | ~8,5 salários |
| PS4 | 2013 | R$ 4.000 | R$678 | ~5,9 salários |
| PS5 | 2020 | R$ 4.699 | R$ 1.045 | ~4,5 salários |
Mas e os jogos?
Console na estante não é nada sem aquele disco ou download. E aqui está o detalhe que dói: o jogo no lançamento quase sempre pesou (e pesa) no orçamento. Veja o retrato:
| Console | Preço Médio do Jogo | # Salários |
| PS1 | R$ 50–80 | ~0,5–0,8 salário |
| PS2 | R$ 120–180 | ~0,8–1,2 salário |
| PS3 | R$ 200–250 | ~0,6–0,7 salário |
| PS4 | R$ 180–250 | ~0,3–0,4 salário |
| PS5 | R$ 350–400 | ~0,3–0,4 salário |
Em outras palavras: manter a coleção atualizada sempre exigiu esforço — ou criatividade para encontrar um camelô, locadora, amigo para emprestar ou promoção milagrosa.
Fontes
- Tabela de Salário Mínimo: Dieese (www.dieese.org.br)
- Preços de consoles e jogos: matérias da época, portais como IGN Brasil, TecMundo, UOL Jogos, G1 Tecnologia.
Geração por geração: o impacto
PlayStation 1 (1995)
O PS1 chegou abrindo a porta para o mundo 3D. Jogos em CD, gráficos que pareciam de outro mundo, locadoras lotadas. Foi o divisor de águas entre o “passar de fase” e o “virar noites em maratonas”. Quem viveu, sabe: era mágico.
PlayStation 2 (2000)
Talvez o mais querido de todos. Foi DVD player — luxo na época — retrocompatível e com um catálogo monstruoso. Winning Eleven, GTA: San Andreas, Resident Evil 4: tudo nele virou lenda. O PS2 foi a era de reunir amigos na sala, sábado à noite. Insuperável.
PlayStation 3 (2006)
O salto para o Blu-ray trouxe qualidade e preço alto. Foi uma geração mais séria: gráficos realistas, online consolidado, jogos inesquecíveis como The Last of Us e Uncharted. Para muitos, foi o console que colocou a Sony como rainha da narrativa cinematográfica.
PlayStation 4 (2013)
Veio para reconquistar corações depois de uma geração pesada no bolso. Foi o videogame dos streamers, do multiplayer em qualquer lugar, da explosão do digital. God of War, Horizon Zero Dawn, Spider-Man. A fórmula foi simples: potência, comunidade, nostalgia bem-feita.
PlayStation 5 (2020)
Prometeu nova era — e entregou SSD ultrarrápido, ray tracing e mundos mais vivos. Veio na pandemia, em plena escassez de chips, num dólar nas alturas — mas ainda assim, na proporção, é o PlayStation mais “acessível” em termos de salários. Uma ironia que mostra que tecnologia e realidade brasileira nem sempre combinam.
Sonhar ainda custa caro
Hoje, comprar um PlayStation significa assumir um sonho parcelado. Pesa, sim. Mas cada geração entrega algo além: amigos reunidos, histórias que nos marcam, madrugadas que não voltam.
No fim, cada console foi uma promessa: de que o próximo jogo poderia ser o melhor de todos. E é isso que faz valer a pena apertar Start.
E aí? Vai apertar o Start de novo?
Compartilhe essa história com quem guarda o PS2 na estante, ou quem sonha com o PS5 piscando debaixo da TV. O jogo continua — e a nostalgia, também.












