Personagem gaúcho montado a cavalo em um campo verdejante, tocando um berrante, com o logotipo do jogo “Gaucho and the Grassland” ao fundo.
O protagonista gaúcho inicia sua jornada pelas planícies em uma aventura inspirada na cultura sul-americana.

Gaucho and the Grassland – Um mate quente na alma dos jogos cozy

Um indie brasileiro que foge da violência e mergulha em cultura, calma e conexão com a terra.

Gaucho and the Grassland é um jogo indie brasileiro que mistura criação de animais, aventura e mitologia folclórica em uma jornada acolhedora e cheia de identidade. Desenvolvido pelo Estúdio Epopeia (Porto Alegre/RS), o jogo convida o jogador a cuidar das terras do pampa com calma, respeito e conexão com a cultura gaúcha — e latino-americana de forma geral.


Representatividade que toca o coração

Como brasileiro, é raro me ver representado de forma tão direta em um jogo. O estilo de vida no campo, o chimarrão, os animais e até os bigodes típicos estão todos ali, com um carinho perceptível nos detalhes. Imagino que, para quem é do Sul, a sensação de reconhecimento seja ainda mais forte.


Início da jornada: missão, raízes e música

A história começa com uma introdução leve, onde o pai do protagonista aparece em espírito e passa a missão de cuidar da terra e manter viva a tradição. Esse momento já estabelece um tom espiritual e afetivo.

A música tocada na gaita durante essa cena ajuda a manter a vibe calma e regional — é tudo muito acolhedor.


Uma jornada positiva e com propósito

Depois da introdução, comecei a me conectar com a história e a missão do gaúcho. O que me chamou atenção é que o jogo tem uma temática positiva, diferente da maioria dos jogos atuais.

Gaucho and the Grassland | Reprodução/Epopeia Games

Aqui, o objetivo não é lutar ou destruir, mas sim fazer boas ações, cuidar da terra, ajudar a comunidade e restaurar o equilíbrio das coisas. Tudo isso envolto em uma leve mística do folclore brasileiro.


Customização com sotaque

Logo no início, a customização do personagem me arrancou um sorriso. As opções de bigodes são ótimas, dando um toque bem-humorado e cultural.

Gaucho and the Grassland | Reprodução/Epopeia Games

E sim, até o cachorro Cusco tem bigode — é esse tipo de detalhe que faz diferença.


Companheiros carismáticos

Pingo, o cavalo, e Cusco, o cachorro, são companheiros constantes e muito bem construídos. Pingo pode ser personalizado com diferentes cores, o que reforça o vínculo com ele.

Ambos têm presença, ajudam na jornada e tornam tudo mais leve e afetuoso.


Protagonista com voz

As falas do personagem principal são simples, mas carismáticas. É legal ouvir o sotaque e as expressões locais, o que reforça a imersão e a identidade regional.


Jogabilidade: entre o aconchego e os detalhes

A jogabilidade é fluida e agradável, ideal para o estilo cozy que o jogo propõe. Mas um ponto que me incomodou foi o som dos passos ao caminhar. Ele é constante e um pouco irritante, destoando da calmaria da trilha sonora ao fundo. Um ajuste de volume ou variação sonora ali faria bem.


Pequenos tropeços técnicos, mas nada grave

Notei um pequeno atraso nos gráficos quando o personagem se movimenta mais rápido, como se o ambiente demorasse para acompanhar. Também tive uma situação em que chamei o cavalo, mas ele não veio — estava preso atrás de uma cerca. Mas sejamos justos: isso acontece até em jogos AAA. Nada que atrapalhe a experiência.


Um modelo que merece se espalhar

Fico imaginando se a ideia pegar: já pensou uma versão mineira? Uma do sertão? Uma do norte? O Brasil tem riqueza cultural de sobra para explorar nos games, e Gaucho and the Grassland mostra que isso é possível e desejável.


Gaucho and the Grassland é mais do que um jogo. É uma homenagem carinhosa à cultura regional do Brasil. Com visual simples, trilha acolhedora, jogabilidade tranquila e personagens cativantes, ele oferece uma experiência leve, positiva e cheia de identidade.

Ainda tem pontos a melhorar, mas a alma do jogo está no lugar certo. E isso, por si só, já é algo raro.

Fundador do Bandas de Garagem, projeto que marcou a cena independente no Brasil. Apaixonado por games e cultura digital desde os anos 80, vive conectando música, tecnologia e boas ideias que viram projetos.