Review | Lost Soul Aside

Lost Soul Aside entrega estilo e ambição, mas tropeça na repetição.

Lost Soul Aside nasceu de um sonho audacioso: entregar um action-RPG em escala digna de grandes produções, misturando combate ágil, visual estilizado e uma pegada épica de fantasia moderna. O projeto começou em 2016 como criação solo de Yang Bing, um desenvolvedor chinês que chamou atenção do mundo com um trailer impressionante feito praticamente por conta própria. O vídeo viralizou, colocando o jogo sob os holofotes da indústria e transformando o que era um protótipo independente em um dos títulos mais aguardados da cena chinesa.

Com apoio da Sony e do programa China Hero Project, a pequena ideia ganhou fôlego, equipe e investimento, crescendo ao longo de quase uma década. Essa longa gestação aumentou tanto a expectativa quanto a pressão: será que Lost Soul Aside conseguiria não apenas repetir o impacto de sua estreia, mas também se consolidar como um RPG de ação no mesmo patamar de outras franquias consagradas?

Depois de anos de desenvolvimento, finalmente chegou ao PS5 e PC trazendo essa promessa de ação cinematográfica. Mas será que ele realmente alcança esse patamar?

Agradecemos a PlayStation por gentilmente fornecer o código de avaliação. Sua confiança nos permitiu experienciar o jogo em primeira mão e trazer esta análise pra vocês!

Lost Soul Aside – Ultizero Games

Jogabilidade

O ponto central do jogo é o combate. Kaser, o protagonista, carrega até quatro armas diferentes e pode alternar entre elas em tempo real, criando sequências de golpes que lembram os melhores hack and slash do gênero. Some a isso as habilidades especiais de Arena, a criatura que o acompanha, e você tem um arsenal criativo de combos, magias e execuções de impacto.

No papel, é um sistema robusto. Na prática, o jogo demora a entregar sua melhor versão. O início é arrastado, com movimentos limitados, e só depois de algumas horas o combate realmente se abre e revela suas possibilidades. Quando funciona, é empolgante, especialmente contra chefes. Mas esse brilho aparece em picos, e nem sempre se sustenta ao longo da campanha.

Arte e Visual

Visualmente, Lost Soul Aside é impressionante. Os cenários são vastos, detalhados e cheios de efeitos que passam uma sensação de grandiosidade. A direção de arte mira alto, com inspiração clara em RPGs japoneses de grande orçamento, e a trilha sonora consegue acompanhar bem a intensidade das batalhas.

Ainda assim, há falhas de polimento. Modelos de personagens por vezes destoam dos ambientes, e a linearidade dos mapas, com corredores e barreiras invisíveis, limita a imersão. É bonito, mas também apresenta diversos pontos de melhoria.

O Elefante na Sala

E aqui está o ponto que mais pesa: a repetição. Lost Soul Aside tenta impressionar com seu combate, mas a estrutura linear, o ritmo irregular e a pouca variação tornam a experiência maçante com o passar das horas. O jogo começa lento, ganha força no meio, mas logo se perde na mesmice. O excesso de cutscenes pouco inspiradas e animações duras não ajudam, e problemas técnicos como quedas de desempenho e colisões estranhas atrapalham ainda mais a imersão.

É frustrante porque existe um bom sistema de combate aqui, mas ele é engolido por escolhas de design que drenam sua energia.

Lost Soul Aside – Ultizero Games

Afinal, vale a pena?

Lost Soul Aside é uma mistura de ousadia e tropeços. É impressionante pensar que o projeto começou pequeno e chegou a esse nível de produção, entregando batalhas estilosas e visuais marcantes. Mas a execução não acompanha totalmente a ambição. O combate tem personalidade, mas a repetição e a falta de polimento transformam o que poderia ser uma experiência memorável em algo que, muitas vezes, se arrasta.

Para quem busca um hack and slash cheio de estilo e gosta de dominar sistemas de combate, sim, vai fundo. Mas quem procura um RPG de ação coeso, equilibrado e consistente vai sentir que a promessa não foi cumprida.

Criador de mundos, designer gráfico e entusiasta dos games. Tem mais horas de jogo do que de sono — e tá tudo bem.