Antes de mais nada, este review é escrito do ponto de vista de alguém que nunca havia jogado a série Everybody’s Golf. Meu último contato com golfe nos videogames foi num Kinect Sports do Xbox 360. Antes disso, lá atrás, joguei um joguinho mobile de golfe no meu Motorola V3. Então, ao experimentar Everybody’s Golf Hot Shots, minha perspectiva é pura de descoberta.
Logo de cara, senti que o jogo não é tão acolhedor para quem está começando: a ausência de localização em PT‑BR pesa. Se você, assim como eu, fica mais à vontade em português, isso torna o primeiro contato menos convidativo. A imersão é abalada quando as instruções, menus e falas estão apenas em inglês ou outras línguas (mas não em português). Um bom tutorial textual adaptado ajudaria muito. Mas mesmo assim, quem tá acostumado a jogar (principalmente os gamers das antigas que não tinham localização) vai conseguir entender as mecânicas básicas e o tutorial inicial.

Modo Aula & Treino
O jogo oferece um modo Golf Lessons, com algumas lições no estilo “Beginner’s Golf”, cada uma explicando um aspecto: tacadas curtas, longas, com efeito, força do swing, vento, aproximações e finalizações no green. As lições são curtas e objetivas, cumprindo bem o papel de introdução.
O Modo Treino é o campo aberto ideal: sem adversários, sem pressão, é o lugar para aplicar o que aprendeu e ganhar confiança.
Modos Single-Player
Há seis modos para solo, com propostas distintas:
- Challenge Mode: séries de desafios com condições definidas. Recompensa: dinheiro para comprar cosméticos e pontos para desbloquear duelos contra IA. Vencendo, você libera novos mapas e o próprio rival como personagem jogável no World Tour.
- World Tour: a campanha principal; capítulos por personagem, com narrativa leve e objetivos extras para quem quer mais dificuldade e rejogabilidade.
- Stroke Play e Match Play: clássicos do golfe — no primeiro, vence quem faz menos tacadas; no segundo, cada buraco vale ponto, com possibilidade de viradas dramaticamente divertidas.
- Solo Round: enfoque na prática pessoal, sem competição — ideal para relaxar ou explorar campos com calma.
- Multiplayer local: até quatro jogadores no mesmo console, revezando o controle; divertido e perfeito para sessões rápidas com amigos ou família.
Vale aqui a ressalva de que não joguei as sessões de jogo online nesse período pré-lançamento, tendo gastando minhas horas de gameplay nos modos single-player.
Visual e sonoridade: encantador ou “sem graça”?
Visualmente, o estilo continua sendo acessível e descontraído, com cenários vibrantes que equilibram o realismo leve com charme cartunesco. Porém, temos transições simples e texturas que lembram um visual de geração passada (algo como os jogos dos anos 2000).
É claro que, tudo isso, rodando a uma taxa de atualização de frames muito maior do que o que se tinha antigamente, deixando o jogo bem fluido.
A trilha sonora é discreta, cumprindo o papel de fundo sem destoar. Os efeitos (vento, batida da bola, etc.) ajudam a ambientar, e alguns deles acabam ficando na sua cabeça depois de algumas horas de gameplay.

Mudanças em relação ao antecessor (2017) e à série
Everybody’s Golf Hot Shots marca uma guinada na franquia: é o primeiro jogo feito pela Hyde em vez da Clap Hanz, com Bandai Namco como publisher, e o primeiro lançado também para Switch e PC, e não só PlayStation.
Em termos de jogabilidade, mantém o sistema clássico de três botões, e introduz variações como Wacky Golf com obstáculos inusitados (tornados, monólitos), clima dinâmico e ciclos dia-noite. Isso adiciona alguma variedade, mas não compensa completamente a perda do charme visual e das opções robustas de customização da versão anterior.
Afinal, vale a pena?
No fim das contas, Everybody’s Golf Hot Shots foi meu primeiro mergulho de verdade na franquia. Entrei curioso, achando que encontraria um jogo acolhedor, quase um convite leve para quem nunca segurou um taco de golfe virtual. Mas a realidade foi mais dura: a falta de português me afastou em vários momentos, os tutoriais funcionam, mas não conseguem prender, e a sensação geral é que o jogo espera que você já tenha uma certa bagagem com o gênero ou mesmo com a série.
Não é que seja um jogo ruim, longe disso, ele tem charme em seus modos e pode ser divertido em companhia, mas sozinho não me segurou tanto. Para veteranos, talvez a magia esteja em rever mecânicas conhecidas ou testar os novos modos. Já para quem, como eu, está chegando agora, o risco é se sentir mais perdido do que entretido, principalmente se você não é um aficionado pelo golfe.
Saio dessa primeira experiência respeitando a franquia e entendendo porque ela tem tantos fãs, mas com a sensação de que este título específico não foi o melhor ponto de partida. Se você nunca jogou Everybody’s Golf, talvez valha buscar uma promoção deste ou do jogo anterior da franquia, pra ver se é realmente o seu tipo de jogo.











