Ace Frehley, guitarrista original e cofundador do Kiss, morreu aos 74 anos após complicações decorrentes de uma queda em sua casa. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (17) por portais internacionais como The Guardian e AP News.
Conhecido pelo visual “Spaceman”, Ace foi um dos responsáveis por moldar o som e a identidade visual do Kiss — uma mistura explosiva de rock pesado, maquiagem e espetáculo teatral que transformou a banda em um dos maiores nomes da história da música.
Frehley havia cancelado apresentações no fim de setembro, após o acidente em seu estúdio. Desde então, sua agenda para 2025 havia sido suspensa devido a problemas médicos.
O Kiss também marcou presença nos videogames
O impacto cultural do Kiss ultrapassou os palcos e chegou aos games. A banda já apareceu em diversos títulos oficiais e homenagens ao longo das décadas.
Entre os principais, está o “Kiss: Psycho Circus – The Nightmare Child” (lançado para PC e Dreamcast em 2000), inspirado em uma série de quadrinhos da banda, que misturava ação, fantasia e o estilo visual inconfundível do grupo.
Além disso, músicas do Kiss — incluindo clássicos como Rock and Roll All Nite e Detroit Rock City — marcaram presença em jogos de ritmo como Guitar Hero, Rock Band e até trilhas de títulos de corrida e esporte, sempre com o mesmo espírito de rebeldia que caracterizou a banda.
Legado que transcende a música
Ace Frehley foi mais do que um guitarrista: foi um símbolo de atitude, inovação e estilo. Seu visual futurista e suas guitarras que soltavam fumaça anteciparam a fusão entre espetáculo e tecnologia — algo que hoje se vê também no mundo dos jogos e nos avatares digitais.
Seja nos palcos, nas capas de revistas ou nos controles dos videogames, o legado do “Spaceman” segue brilhando — uma estrela que inspirou tanto músicos quanto jogadores a levarem a criatividade além do comum.
A teatralidade de Ace Frehley e sua influência no universo dos games
Muito antes dos shows virtuais e dos avatares digitais, Ace Frehley já transformava o palco em um verdadeiro espetáculo de efeitos especiais. Suas guitarras que soltavam fumaça, disparavam foguetes e até “explodiam” ao vivo criavam uma sensação de poder quase sobrenatural — uma performance que, décadas depois, ecoa na estética de muitos jogos modernos.
Essa teatralidade do Kiss, misturando música, fantasia e tecnologia, acabou pavimentando um caminho que inspirou desde designs de personagens e skins até narrativas imersivas em universos digitais. Bandas como o Kiss foram pioneiras em transformar músicos em heróis, algo que mais tarde se tornaria comum em jogos e franquias multimídia.
A ideia de que cada integrante tem um personagem com identidade própria — o “Spaceman”, o “Demon”, o “Starchild”, o “Catman” — é uma forma de storytelling visual que conversa diretamente com o design de jogos e com a construção de avatares em mundos como Fortnite, Destiny ou League of Legends.
Em 2023, o Kiss chegou inclusive a adotar avatares digitais criados por captura de movimento (mocap), permitindo que suas personas continuassem vivas em performances virtuais. Essa fusão entre palco e tecnologia mostra o quanto a linguagem criada por Ace Frehley continua atual — e como sua estética espacial e lendária segue inspirando o entretenimento digital até hoje.
KISS: Psycho Circus – o mergulho do rock no terror e na fantasia
Em 2000, o Kiss levou sua estética teatral e o universo visual criado por Ace Frehley e companhia para os videogames com o lançamento de KISS: Psycho Circus – The Nightmare Child, desenvolvido pela Third Law Interactive e publicado pela Gathering of Developers para PC e Dreamcast.

Inspirado na série de quadrinhos Kiss: Psycho Circus da Image Comics, o jogo misturava ação em primeira pessoa, terror psicológico e elementos de fantasia sombria, colocando o jogador no papel de heróis inspirados nos integrantes da banda. Cada personagem representava um arquétipo do grupo — como o “Spaceman”, “Demon”, “Starchild” e “Catman” — em um mundo caótico repleto de criaturas bizarras, arenas decadentes e batalhas intensas.
Visualmente ousado para a época, o game se destacava pelo uso do motor gráfico LithTech, o mesmo utilizado em títulos como Shogo: Mobile Armor Division. A trilha sonora, como não poderia deixar de ser, era repleta de riffs de guitarra e composições que evocavam a energia explosiva dos shows do Kiss.

Apesar de ter recebido críticas mistas, Psycho Circus se tornou uma peça de culto entre fãs da banda e colecionadores, marcando um raro crossover entre o rock teatral e os mundos digitais. É um dos exemplos mais claros de como o Kiss — e especialmente o estilo visual criado por Ace Frehley — ajudou a abrir caminho para que músicos se transformassem em personagens jogáveis.










