A franquia Katamari Damacy é um daqueles raros casos de “cult clássico” que, embora não tenha tido um volume gigantesco de lançamentos, marcou a memória de muitos jogadores com sua proposta única: rolar uma bola (o “katamari”) que vai agregando objetos cada vez maiores até formar estrelas, tudo isso com humor surreal, estilo visual distinto e uma trilha sonora competente.
Popularizada no PlayStation 2 lá por 2004, a série rapidamente ganhou uma legião de fãs, especialmente no universo Nintendo. Para muitos jogadores de Switch e plataformas anteriores da Nintendo, Katamari aparece como sinônimo de diversão leve, excêntrica e descontraída, bem ao estilo “meio maluquinho” que se encaixa perfeitamente com a filosofia de jogos que não se levam tão a sério, como muitos dos títulos do universo Wario.
Dessa forma, o anúncio de um novo título original, Once Upon A KATAMARI, chamou atenção: afinal, é o primeiro jogo inédito da série para consoles após um longo tempo.
Com esse histórico, de uma série adorada por nicho, esperada por fãs e que sempre apostou em mecânicas simples mas carismáticas, vamos ver como se comporta este novo capítulo que testei no PS5.
Visão geral do jogo
Once Upon A KATAMARI chega ao público em 24 de outubro de 2025 para múltiplas plataformas: PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e PC via Steam.
A premissa: o icônico King of All Cosmos, como de costume, apronta uma de suas trapalhadas, desta vez ele destrói acidentalmente a Terra, a Lua e várias estrelas enquanto mexe num pergaminho misterioso. Cabe então ao Príncipe e aos seus 68 primos (jogáveis) viajar entre eras — Período Jurássico, Idade do Gelo, Japão histórico e outras — para rolar seu katamari, recolher objetos, restaurar o céu estrelado e, claro, se divertir no processo.
Em termos de mecânica, há novidades interessantes: além da estrutura clássica de “rolar para crescer”, há um item-suporte novo — o ímã, que atrai objetos próximos, facilitando (ou complicando) a coleta e permitindo novas formas de jogar.

Também há modo multiplayer competitivo chamado KatamariBall, para até 4 jogadores (online ou offline contra CPU) — um novo esporte cósmico da franquia.
Por fim, customização: você joga como o Príncipe ou um dos 68 primos, podendo ajustar cores e rostos para designs únicos.
Minha experiência com a versão de PS5
Testei a versão do PS5, e desde já agradeço a Bandai Namco e o time da Theogames pelo acesso antecipado ao jogo. Foi a minha primeira vez jogando um título completo da franquia (me limitei no passado a um jogo interativo no Google). Dediquei meu tempo de gameplay ao offline do título.
Estilo e atmosfera
A proposta do jogo claramente abraça o absurdo e o divertido, típica vibe Katamari: maluca, colorida, irreverente. Viajar por eras tão diferentes quanto a era dos dinossauros e o Japão feudal no mesmo título mostra bem esse espírito “vamos brincar com o tempo e com as possibilidades”.
A trilha sonora e a customização de primos reforçam que o game sabe quem é e para quem fala.
Controles e jogabilidade
Os controles parecem simples à primeira vista: “vamos rolar o katamari” parece óbvio. Mas a mecânica de mexer os dois analógicos ao mesmo tempo para controlar a bola mostrou-se mais complexa do que eu imaginava.
No início, me senti um pouco travado, mas conforme fui pegando o jeito (rodando, tentando controlar a inércia, aprendendo os limites), fui melhorando. Contudo, ainda senti que a responsividade poderia ser melhor: em momentos em que a bola crescia bastante, senti “travamentos” ou dificuldades para passar por certos locais do mapa. Quando o katamari atinge tamanho grande, isso fica mais evidente (por exemplo, lidar com colisões ou entradas estreitas).

As cutscenes são bem simples, estilo novel nipônica, sem grandes floreios ou cinematografia sofisticada, o que me fez pensar: para este tipo de público que curte uma estética “menos AAA, mais charme”, isso está ok. Mas se você busca qualquer coisa diferente disso, pode se decepcionar.
Um detalhe que me chamou a atenção foi a voz do narrador do game, a mesma presente nos anúncios e Directs da Nintendo.
Gráficos e apresentação
Visualmente, o jogo não é um “show gráfico”. As texturas, modelos e cenários lembram mais títulos de duas gerações atrás, o que, honestamente, não me incomodou tanto, pois para mim o que importa era a jogabilidade.
Mas é bom saber: se você entra esperando gráficos polidsos, talvez espere demais. O charme está no estilo, na diversão e não necessariamente no visual.
Direcionamento de público e valor
Para mim, Once Upon A KATAMARI é um jogo voltado para um público bem específico: quem já conhece a série, gosta desse tipo de jogo “rolar-objetos, estranheza divertida”, ou quem está à procura de algo leve, diferente e colorido. Se você nunca tocou nada da franquia e não curte mecânicas “fora do padrão”, pode ter uma experiência ruim com o game.
Como alguém que entrou de cabeça, pela primeira vez no título, senti que a curva de aprendizado inicial e alguns solavancos nas mecânicas atrapalharam bastante minha experiência.
Afinal, vale a pena?
Once Upon A KATAMARI é um jogo para quem procura algo leve, estranho e divertido. Eu recomendo fortemente este jogo para quem já teve contato com a franquia e gosta dos jogos da série. Para quem entrou de curioso e ainda não conhece o jogo, é bom olhar atentamente para ver se vale a pena gastar os R$ 229,90 na versão base dos consoles e R$ 182,90 na Steam.
O título não possui localização em PT-BR, o que afasta ainda mais aos iniciantes no gênero. Posso dizer que o saldo geral é misto. Me diverti em alguns momentos de gameplay, mas em grande parte do jogo me senti desconectado do universo e da jogabilidade, que por diversas vezes não foi responsiva.











