Marvel Cosmic Invasion: o novo beat ’em up da Dotemu resgata nostalgia com frescor moderno

Review | Marvel Cosmic Invasion

Com ação acelerada, coop completo e uma interpretação carismática do universo Marvel, o jogo prova que o gênero está mais vivo do que nunca

Nos últimos anos, a Dotemu se consolidou como uma das principais responsáveis por reacender a chama dos beat ’em ups. O estúdio, que já brilhou com Streets of Rage 4 e ajudou no impulso que levou ao sucesso de Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge, mostrou que títulos de estética retrô podem coexistir com produções modernas sem perder identidade. Com Marvel Cosmic Invasion, essa filosofia continua firme: pegar um gênero clássico dos fliperamas e moldá-lo com a qualidade e o polimento exigidos pelos consoles atuais.

Mesmo seguindo a fórmula tradicional “andar e bater”, o jogo não soa datado. Ele respeita o legado do gênero e, ao mesmo tempo, entende o que o público de hoje espera.

Um universo Marvel caótico e estiloso em pixel art

A ambientação é imediatamente cativante. Marvel Cosmic Invasion captura o espírito irreverente e explosivo das HQs cósmicas da Marvel, misturando cenários coloridos, personagens exagerados e uma pixel art impecável.

Ao longo da campanha, o jogo traz dezenas de inimigos baseados no imaginário Marvel e coloca o jogador contra chefes conhecidos, sendo alguns apresentados de forma divertida, outros nem tanto. Há momentos em que os efeitos visuais tornam a leitura da ação um pouco caótica demais, mas quando tudo funciona, funciona muito bem.

Jogabilidade: um beat ’em up moderno que respeita o clássico

MARVEL Cosmic Invasion | Reprodução/Dotemu

Como em qualquer bom beat ’em up, a jogabilidade é o coração da experiência. O jogo oferece:

  • botão para ataque básico com combos variados
  • botão de pulo
  • ataques especiais
  • golpes supremos
  • uma mecânica defensiva que varia conforme o personagem (bloqueio ou esquiva)
  • e o diferencial da troca de personagens em tempo real

Essa última mecânica transforma completamente o fluxo da batalha. O jogador escolhe uma dupla de heróis antes de cada missão e pode alternar entre eles ou chamar assistências durante os combos. É fluido, elegante e abre espaço para experimentação. Cada herói possui movimentos, cadência, habilidades especiais e até ultimates próprios.

Essa variedade sustenta o ciclo de combate de maneira viciante. A sinergia entre personagens convida o jogador a testar combinações, criar estratégias improvisadas e abusar das possibilidades de combos duplos. É um ritmo veloz, responsivo e extremamente satisfatório.

Progressão leve, mas eficiente

Outro elemento que adiciona rejogabilidade ao game é o sistema de level up. A cada fase concluída (ou derrota), os heróis ganham experiência e desbloqueiam melhorias como aumento de vida, passivas e estilos alternativos.

Essa progressão oferece motivação constante para alternar personagens e revisitar fases. Mesmo quando você falha, sente que ainda avançou de alguma forma.

A campanha principal dura cerca de 4 horas, mas conquistar a platina pode levar perto de 20, graças aos desafios extras, desbloqueáveis e ao modo Arcade.

Dificuldade acessível, mas com algumas pegadinhas

MARVEL Cosmic Invasion | Reprodução/Dotemu

Marvel Cosmic Invasion não é um jogo difícil. A maioria das fases pode ser completada de primeira, mas um detalhe altera a dinâmica: não existem vidas ou continues. Isso significa que, ao morrer, a fase deve ser reiniciada, ainda que o progresso geral permaneça salvo.

Esse sistema exige atenção aos elementos destrutíveis dos cenários, onde é possível encontrar itens de cura. Não é algo punitivo, mas adiciona uma camada de tensão interessante.

Problemas de variedade e escolhas de design

Apesar da forte base jogável, alguns pontos destoam do conjunto:

  • A variedade de inimigos cai consideravelmente perto do final, tornando as últimas fases mais repetitivas.
  • Heróis voadores não aproveitam o voo de forma realmente estratégica, parecendo um recurso visual mais do que mecânico.
  • Alguns chefes abusam de efeitos visuais ao ponto de prejudicar a clareza da batalha.

Nada disso quebra a experiência, mas são sinais de que o jogo poderia ser ainda mais ambicioso.

Coop é onde o jogo realmente brilha

Jogando sozinho, Marvel Cosmic Invasion já é excelente. Mas no modo cooperativo, seja local ou online, ele se transforma. A troca de personagens, as assistências, os combos coordenados e o caos visual fazem do multiplayer um prato cheio.

É um daqueles jogos perfeitos para deixar instalado no console: sempre haverá alguém disposto a “mais uma fase”.

Afinal, vale a pena?

Marvel Cosmic Invasion não tenta reinventar o gênero, e essa é precisamente a sua força. Ele entende o DNA dos beat ’em ups, entrega combate delicioso, visuais apaixonantes e uma progressão que respeita o tempo do jogador. A narrativa é simples, a variedade poderia ser maior, mas nada disso apaga o brilho do pacote completo.

Para quem cresceu jogando Double Dragon, Tartarugas Ninja, Final Fight ou Cadillacs and Dinosaurs, este jogo é uma lembrança moderna de um passado simples e divertido. E para quem só agora está descobrindo beat ’em ups, é uma porta de entrada divertida, acessível e polida.

Há 10 anos trabalhando com produção de conteúdo, já produzi programas de TV, participei de eventos internacionais e escrevi uma porção de reviews por aí.