Quando você abre My Hero Academia All’s Justice pela primeira vez, é difícil não sentir aquele frio na barriga. A música tema começa a tocar, você vê Deku, Bakugou, Todoroki e companhia prontos para a ação, e de repente você está lá, no meio daquele universo que acompanha há anos. É um sentimento poderoso. E é exatamente esse tipo de imersão que a Bandai Namco promete entregar com esse novo título, que chega em 6 de fevereiro de 2026 para PlayStation, Xbox, Nintendo Switch e PC.
Mas será que o jogo consegue traduzir toda a emoção do anime para a experiência jogável? Ou será que cai na armadilha de ser apenas “mais um jogo de anime”? Depois de algumas horas de playtest, eu vim trazer minhas impressões — e spoiler: tem muito a se empolgar aqui.
O que é All’s Justice?
My Hero Academia All’s Justice é um jogo de ação e combate em arena que propõe algo diferente dos títulos anteriores da franquia. Ao invés de focar apenas em lutas espalhafatosas e competitivas (como os jogos da série Naruto Storm ou Dragon Ball FighterZ), All’s Justice aposta em narrativa canônica inédita, exploração de cenários inspirados no anime e uma jogabilidade que prioriza combos criativos e fiéis às Quirks dos personagens.
O jogo traz um modo história original supervisionado por Kōhei Horikoshi (criador do mangá), além de modos versus, missões cooperativas e a possibilidade de explorar a cidade como seus heróis favoritos. É ambicioso e funciona melhor do que eu esperava.
Os modos de jogo
O jogo oferece quatro modos principais que pude experimentar no preview:
Story Mode — Reviva a Guerra Final da temporada final do anime
Team Up Mission — Missões cooperativas em espaço virtual com cenários originais
Hero’s Diary — Episódios inéditos do dia a dia dos 20 alunos da Turma 1-A
Battle 1P vs CPU — Lutas livres com qualquer combinação de personagens
Jogabilidade: aprendizado necessário, mas recompensador
Vou ser honesto: os primeiros 30 minutos foram difíceis. Se você, como eu, nunca jogou um arena fighter no estilo de Gundam Versus ou Kill la Kill IF, vai precisar de paciência. O tutorial joga muita informação de uma vez — esquiva, contra-ataque, troca de personagem, uso de Quirks, ultimates encadeados… é muita coisa.
Mas depois que você pega o jeito? É viciante. O sistema de combos é fluido, e cada personagem realmente parece único. Bakugou é agressivo e explosivo (literalmente), Deku tem mobilidade absurda com o Black Whip, Tokoyami voa pela cidade com Dark Shadow… cada Quirk muda completamente a forma como você joga. É impressionante.
E tem um detalhe que eu amei: as ultimates não são só cinematics espalhafatosas, elas se encaixam nos combos de forma orgânica. Você pode usar o Plus Ultra de um personagem, trocar no meio da animação e emplacar outro golpe especial na sequência. É dinâmico, é bonito, é satisfatório.
Mecânicas essenciais
Rising — Quando a barra Rising está cheia, você entra em um modo aprimorado temporário. Se você é o último personagem da equipe, ativa o Ultimate Rising automaticamente, ainda mais poderoso.
Plus Ultra — Com pelo menos uma pilha na barra Plus Ultra, você solta o golpe ultimate do personagem. Com duas pilhas e um aliado vivo, você pode fazer um Plus Ultra Combo encadeado.
Dash — Segure L1/LB enquanto se move para correr mais rápido. No ar, vira um air dash que cobre distâncias rapidamente.
Pontos altos:
- Combos criativos e personalizáveis
- Quirks bem adaptadas ao gameplay
- Sensação de “ser o personagem” é real
- Sistema de Rising e Plus Ultra recompensador
Pontos baixos:
- Curva de aprendizado íngreme para iniciantes
- Tutorial poderia ser mais didático
Fidelidade ao anime: um espetáculo visual
Se tem uma coisa que All’s Justice acerta de primeira, é a apresentação audiovisual. O jogo é lindo. A animação dos personagens é fluida, os cenários são vibrantes e cheios de detalhes, e a trilha sonora… cara, a trilha sonora te coloca dentro do anime. Joguei com a dublagem japonesa e foi perfeito. Cada grito de “SMAAAASH!” do Deku, cada xingamento do Bakugou, tudo soa autêntico.
E tem momentos que realmente parecem cenas do anime. Eu estava jogando o modo história e cheguei numa luta contra o All For One Rewind — e, sério, foi épico. A tensão, a música, a coreografia dos golpes… parecia que eu estava assistindo a um episódio especial, só que eu estava no controle.
Story Mode: A Guerra Final nas suas mãos

O Story Mode te coloca no coração da temporada final do anime, mas de uma perspectiva única criada para o jogo. Você acompanha a linha do tempo das lutas que levam ao confronto final entre heróis e vilões.
No preview, joguei como Katsuki Bakugou enfrentando uma versão jovem do All For One (All For One Rewind), e foi uma das experiências mais intensas que já tive em um jogo de anime. O jogo traz cinemáticas coloridas e animadas direto do mangá, e quando você assume o controle, a transição é perfeita.
O que me impressionou:

A batalha contra All For One Rewind — A luta é desafiadora, mas justa. Cada fase da batalha traz um novo desafio, e você precisa dominar os controles do Bakugou pra conseguir passar. Apanhei bastante no começo, mas quando finalmente entendi o timing dos contra-ataques e comecei a encadear os combos explosivos, foi satisfatório demais.
Fidelidade emocional — As cutscenes capturam a tensão e o peso da Guerra Final. Você sente que está vivendo um momento decisivo do anime, não só jogando um jogo.
Progressão natural — O modo te guia pelos eventos de forma que mesmo quem não acompanhou o anime recente consegue entender o que está acontecendo.
Team Up Mission: Explorando a cidade como herói

Se o Story Mode é sobre reviver o anime, o Team Up Mission é sobre viver o sonho de ser um herói da U.A. Este modo traz cenários originais criados exclusivamente para o jogo, onde você assume missões de treinamento em um espaço virtual.
E aqui está um dos maiores destaques: você pode explorar a cidade livremente. Poder andar (ou voar, ou balançar) pela U.A. e arredores é um presente para os fãs. Usar o Black Whip do Deku para se mover como o Homem-Aranha ou voar com o Tokoyami te faz sentir dentro daquele universo de um jeito que nenhum outro jogo da franquia conseguiu antes.
Como funciona:
Forma uma equipe de 3 personagens — Você escolhe dois colegas de classe pra te acompanhar nas missões. Cada um traz habilidades únicas que ajudam tanto na exploração quanto no combate.
Use as Quirks para se mover — Deslize no gelo com Todoroki, use explosões pra voar com Bakugou, ou balance pela cidade com o Black Whip do Deku. Cada personagem tem uma forma única de atravessar o mapa.
Missões consomem o mesmo HP — Você precisa se curar regularmente nas instalações espalhadas pelo mapa. Gerenciar sua vida entre missões faz parte do desafio.
Missões que joguei:
16. Confronting the Formidable — Uma missão mais direta de combate onde você enfrenta vilões em sequência.
19. The Ultimate Training — O treinamento definitivo que testa suas habilidades de combate e movimento.
O Team Up Mission é o modo perfeito pra quem quer relaxar explorando e fazendo missões cooperativas. Tem dublagem inédita com cenários originais, e as interações entre os personagens são carismáticas e fazem você lembrar por que se apegou a esses heróis.
Hero’s Diary: O dia a dia dos heróis

O Hero’s Diary é onde o jogo realmente brilha em termos de conteúdo inédito. Este modo traz episódios nunca vistos antes do cotidiano dos 20 alunos da Turma 1-A da U.A. High.
Cada personagem tem suas próprias histórias, e você pode assistir e jogar através desses momentos. São situações que misturam exploração, combate e movimento parkour — tudo apresentado de forma leve e divertida.
Personagens que explorei:
Minoru Mineta
- Night Cat Hunt — Uma missão noturna cheia de humor característico do personagem
- Beyond That Wall — Mineta tentando superar seus próprios limites (e medos)
- Popularity is a Valid Motivation — Sobre as tentativas do Mineta de se tornar mais popular
Eijiro Kirishima
- Strike While the Iron’s Hot — Kirishima e sua determinação inabalável
- Before the Heat Fades — Um momento de reflexão sobre não desistir
- Help Others, but also Yourself — A lição de Kirishima sobre cuidar de si mesmo também
Mina Ashido
- All the Help I can get — Mina pedindo ajuda dos colegas
- This is Too Much — Quando até a Mina animada fica sobrecarregada
- Case Closed — Resolvendo um mistério com a turma
Essas histórias são supervisionadas por Horikoshi e agregam camadas aos personagens que nem sempre vemos no anime principal. É fanservice no melhor sentido: feito com carinho, respeito ao material original e atenção aos detalhes.
Battle 1P vs CPU: Liberdade total

Pra quem só quer cair na porrada, o Battle 1P vs CPU é o modo perfeito. Aqui você pode escolher qualquer combinação de 3 personagens e enfrentar a CPU no cenário da sua escolha.
Todos os personagens estão disponíveis desde o começo (no jogo completo, alguns são desbloqueados conforme você progride no Story Mode). Você pode testar todas as combinações de equipe, experimentar personagens novos e treinar combos sem a pressão de uma missão.
Destaque:
É aqui que você pode realmente sentir a diferença entre cada personagem. Bakugou é agressivo e explosivo, Deku é versátil e móvel, Todoroki equilibra gelo e fogo de formas criativas… cada um tem um estilo de jogo completamente diferente, e montar times que se complementam é parte da diversão.
Pontos de melhoria
Apesar de tudo isso, All’s Justice não é perfeito. A dificuldade inicial pode afastar jogadores casuais, e eu senti falta de um modo de treinamento mais acessível — algo como um dojo onde você pudesse praticar combos sem a pressão de uma luta real.
Além disso, o jogo ainda está em fase de preview, então é difícil saber como ele vai se comportar em termos de longevidade. Vai ter conteúdo pós-lançamento? Novos personagens? Modos competitivos bem balanceados? Essas são perguntas que só vamos conseguir responder depois do lançamento oficial.
Conclusão: vale a pena?
Sim. Se você é fã de My Hero Academia, All’s Justice é praticamente obrigatório. É o jogo que mais consegue capturar a essência do anime até agora — não só em visual e som, mas em sentimento. Você realmente se sente um herói em treinamento, lutando ao lado (ou contra) seus personagens favoritos.
E mesmo que você não seja fã hardcore, há espaço aqui. O jogo parece ter profundidade suficiente para agradar jogadores competitivos e casuais, desde que você esteja disposto a investir um tempo para aprender as mecânicas.
É claro que há pontos de melhoria — a curva de aprendizado, a falta de um tutorial mais detalhado, a incerteza sobre o suporte pós-lançamento — mas nada que tire o brilho da experiência como um todo. All’s Justice promete ser um convite para viver aquele universo. E isso, por si só, já vale muito.
Agradecimento especial à equipe da Bandai Namco Entertainment por nos disponibilizar acesso antecipado ao jogo para esta preview.










