Cena de gameplay mostrando Cloud Strife com cabelos loiros espetados empunhando a espada gigante Buster Sword em combate aéreo contra Sephiroth de cabelos prateados em Final Fantasy VII Remake Intergrade, com faíscas e efeitos visuais dinâmicos ao redor
Cloud Strife enfrenta Sephiroth em batalha intensa — Final Fantasy VII Remake Intergrade traz confrontos emocionantes ao Nintendo Switch 2

Review | Final Fantasy VII Remake Intergrade – Nintendo Switch 2

A obra-prima da Square Enix chega ao novo console da Nintendo com desafios de adaptação que não passam despercebidos

Depois de anos aguardando, o momento finalmente chegou. Final Fantasy VII Remake Intergrade desembarca no Switch 2, e com ele vem toda a carga emocional, os personagens carismáticos e a narrativa envolvente que conquistaram uma geração inteira de jogadores. Para quem, como eu, esperou ansiosamente por essa oportunidade, é impossível não sentir aquele frio na barriga ao ver Cloud Strife empunhando sua espada Buster novamente, agora em um console híbrido que promete levar Midgar para qualquer lugar.

Mas será que a transição para o hardware da Nintendo foi totalmente suave? A resposta é: quase. O jogo entrega diversão, nostalgia e aquela essência inconfundível de Final Fantasy, mas alguns obstáculos técnicos e escolhas questionáveis aparecem no caminho. Vamos mergulhar fundo nessa análise.

Quando a acessibilidade encontra a nostalgia

Com a adição do sistema Streamlined Progression (Progressão Simplificada), a Square Enix deixou claro que quer democratizar a experiência. HP e MP sempre no máximo, ataques causando automaticamente 9.999 de dano, tudo pensado para quem deseja focar na história, nos diálogos e nos momentos cinematográficos sem ser punido por batalhas desafiadoras.

Essa decisão é ousada e, sinceramente, bem-vinda. Nem todo mundo tem tempo ou paciência para enfrentar cada combate com estratégia milimétrica. Para os fãs da narrativa, essa é uma porta de entrada perfeita. Porém, para os veteranos que buscam desafio, pode soar como uma simplificação excessiva. Felizmente, o modo clássico ainda está lá para quem quer suar a camisa.

O Coração pulsante de Midgar

Se há algo que Final Fantasy VII Remake acerta de forma magistral, são os personagens. Cloud Strife, com toda sua complexidade emocional, Tifa, Aerith, Barret, cada um deles ganha camadas de profundidade que o jogo original de 1997 apenas insinuava. Acompanhar a jornada de Cloud, suas dúvidas, traumas e momentos de vulnerabilidade, é uma experiência emocionalmente rica.

Após revisitar essa linda história posso afirmar: eu não quero parar de jogar. Cada diálogo, cada interação, cada olhar trocado entre os personagens carrega peso e significado. É difícil não se apegar a essa turma.

Beleza com ressalvas no Switch 2

Visualmente, Final Fantasy VII Remake Intergrade no Switch 2 surpreende positivamente. A adaptação foi cuidadosa, e a qualidade de imagem durante a gameplay está muito boa, especialmente no modo docked. As texturas, a iluminação e os efeitos visuais mantêm aquele padrão AAA que esperamos da Square Enix.

Porém, nem tudo são flores. Logo no início, notei quedas de frame, nada que quebrasse a experiência completamente, mas perceptível o suficiente para tirar um pouco da imersão. Além disso, as cutscenes pré-renderizadas apresentam uma qualidade inferior à gameplay, algo que pode incomodar quem está acostumado com a versão de outras plataformas. Em um momento específico, vi chamas pixeladas de forma gritante… dava para contar os pixels, literalmente.

Outro bug que enfrentei foi durante uma troca do modo portátil para o docked no meio de uma cutscene. O resultado? A cena ficou completamente sem áudio, sem música, sem vozes, apenas o som do menu. Um reinício do jogo resolveu, mas é o tipo de problema que não deveria existir em um lançamento dessa magnitude.

Diversão garantida com um porém

O combate é dinâmico, fluido e extremamente satisfatório. A mistura de ação em tempo real com elementos estratégicos de RPG funciona lindamente, e cada batalha parece uma pequena conquista. Os poderes, as matérias, as sinergias entre personagens — tudo se encaixa de forma quase perfeita.

Mas existe um elefante na sala: o minigame das flexões no modo pro. Desbalanceado, frustrante e exigindo quase perfeição e velocidade sobre-humana, esse desafio continua sendo uma pedra no sapato. A comunidade que já conhecia o jogo provavelmente vai suspirar de desânimo ao se deparar com ele novamente. É aquele tipo de obstáculo que tira você da zona de diversão e te joga numa montanha-russa de estresse.

O que realmente importa

No fim das contas, Final Fantasy VII Remake Intergrade é sobre sentir. É sobre revisitar Midgar com novos olhos, reconectar com personagens que marcaram gerações e se emocionar com uma história que, mesmo conhecida, ainda consegue nos surpreender.

Cada nota da trilha sonora — reimaginada com maestria — nos leva de volta àquela época em que jogamos o original pela primeira vez. Cada batalha, cada diálogo, cada momento de quietude carrega um peso emocional inegável. E isso, sinceramente, vale mais do que qualquer bug ou queda de frame.

Conclusão: Vale a pena, apesar dos pesares

Final Fantasy VII Remake Intergrade no Switch 2 é uma experiência que todo fã de RPG deveria vivenciar. Apesar dos tropeços técnicos — quedas de frame, bugs de áudio, cutscenes com qualidade inferior — o jogo entrega onde mais importa: na narrativa, nos personagens e na emoção.

Para quem esperou anos por essa oportunidade, como eu, é impossível não ficar grato à Square Enix por disponibilizar essa obra-prima em um formato tão acessível e portátil. Sim, há problemas. Sim, alguns ajustes ainda são necessários. Mas a essência de Final Fantasy está aqui, pulsando forte em cada cena, cada batalha, cada momento de silêncio contemplativo.

Se você é amante de RPGs, se você tem qualquer apreço pela história de Cloud e companhia, ou se você simplesmente quer viver uma aventura emocionante e bem contada, Final Fantasy VII Remake Intergrade no Switch 2 merece seu tempo e sua atenção.