Replaced indiscutivelmente entrega muito bem sua proposta e surpreende com uma densa e fantástica estética cyberpunk. O jogo pode frustrar jogadores que buscam o protagonismo da ação em sua gameplay, mas se pacientes e sortudos, poderão absorver e admirar uma história cativante e uma cidade Phoenix que guarda história e resistência.
Distopia cinematográfica
Sua premissa é clara: um thriller de ação retro-futurista e um plataforma 2.5D cinematográfico. E com essa aproximação certeira da intenção “cinema” é que o jogo faz um ótimo trabalho ao nos dar uma “história atual”, plantada num distópico Estados Unidos pós segunda guerra mundial.

O mundo mudou e os Estados Unidos sofre com o reflexo de uma explosão que trouxe a radiação e a necessidade de saúde pública para o país inteiro. Ter corpos saudáveis e órgãos funcionando é o diferencial após 1945. E como um belo cyberpunk, Replaced vai nos mostrar como a demanda tecnológica cresce em paralelo ao abandono social e na oportunidade de lucro em cima dos fracos. Acessibilidade? Só para aqueles que realmente podem. Saúde? É melhor não ter quando se é pobre. Não poderíamos sentir melhor um sabor cyberpunk que falasse sobre resistência, injustiça e desigualdade social em meio a um “boom” tecnológico.
E em meio a isso viveremos uma dicotomia moral ao controlarmos uma IA, a princípio feita para corroborar com o sistema fascista, que controla um corpo humano, vivo e importante que está em ameaça de morte pelo próprio sistema.

E o controle cheio de gordura de pipoca
Replaced usa bem de suas mecânicas de progressão, exploração e interação. Mesmo que não muito profundas e complexas, as mesmas captam e satisfazem o jogador. Mas onde o olho realmente brilha ao apertar botões é no seu combate. Uma inspiração vinda de uma franquia bem sucedida como Batman Arkham foi um acerto gigantesco por parte da desenvolvedora. Junto com sua estética cinematográfica, iluminação impecável e pixel art causando deleites aos olhos de quem vê, seu combate parece uma cena de filme que faz das suas habilidades uma coreografia montada. Chega sim a ser desafiador em algumas partes, mas nada que uma atenção aos padrões dos inimigos não lhe faça superar os obstáculos em minutos.

E cadê o amor?
Talvez seu tropeço seja na falta de fé ao aprofundar seus personagens. Com um universo tão lindo e com uma imersão tão esteticamente bem feita, senti muita falta ao buscar identificação ou até compadecimento com personagens que mereciam apego. É desanimador chegar a X ponto de ser indiferente a personagens tão importantes para a trama do jogo. O que me deixa esperançoso para imaginar uma possível sequência que saiba aproveitar o potencial de personagens tão promissores quanto estes aqui, afinal, uma obra que quer flertar com cinema precisa de mais do que um protagonista.

Recomendação não artificial
Recomendo muito Replaced para aqueles que enxergam videogame como algo a mais do que controlar bonecos e finalizar missões. O jogo de plataforma cinematográfica foi feito para ser jogado, assistido e reconhecido como uma boa obra de retrofuturismo e cyberpunk.
“O futuro está lá… olhando para nós. Tentando entender a ficção em que teremos nos tornado” – William Gibson.











