Consoles Xbox Series exibidos em loja
Xbox aposta em consoles, PCs e cloud para alcançar público maior. Imagem: Reprodução internet

Microsoft gastou US$ 80 bilhões em aposta no Xbox Game Pass, mas estratégia não decolou

Microsoft investiu cerca de US$ 80 bilhões ao longo da última década na aposta pelo Xbox Game Pass, mas o resultado ficou bem longe do planejado. De acordo com uma reportagem recente do Bloomberg, a empresa viu o serviço crescer, mas não no ritmo que esperava e, por isso, já vem cortando gastos, reduzindo estúdios e demitindo funcionários no Xbox.

O plano que envolvia grandes aquisições, como Activision Blizzard por US$ 75,4 bilhões, e expansão pesada do catálogo do Game Pass com estúdios próprios e terceiros custou caro. No entanto, os números de assinantes ficaram bem aquém do esperado: enquanto a Microsoft esperava alcançar 77 milhões até o fim do ano fiscal de 2026, o número real está em torno de 30 milhões, menos da metade do prometido e até menor que dados apresentados pela própria empresa em 2024.

O CEO atual da Xbox, Asha Sharma, reconheceu que as grandes apostas feitas por lideranças anteriores, incluindo o Xbox Game Pass, aquisição de estúdios e lançamento dos jogos em plataformas rivais, “não cresceram no ritmo que esperávamos”. Apesar de terem gerado valor, não foram suficientes para garantir as metas de expansão.

Um ponto levantado é a diferença entre o consumo de conteúdo interativo e linear. Enquanto consumidores de streaming assistem muitas horas e títulos por mês, jogadores costumam focar em poucos jogos, o que limita o apelo de um serviço de assinatura com acesso ilimitado a centenas de títulos.

Mat Piscatella, analista da Circana, destacou que o Game Pass “fracassou” porque jogos como Fortnite dominam o tempo e a atenção dos jogadores, e o serviço simplesmente não conseguiu atrair o público em massa da forma desejada. Além disso, o lançamento de jogos populares diretamente no Game Pass não tem impulsionado as vendas de hardware ou o número de assinantes.

Para sustentar o catálogo, a Microsoft chegou a gastar US$ 1 bilhão por ano apenas com acordos para incluir jogos de terceiros no Game Pass. Mesmo assim, o impacto ficou abaixo do esperado, e a companhia já iniciou um processo de desinvestimento, vendendo ou tornando independentes alguns estúdios, como Double Fine e Compulsion Games.

A empresa também demitiu 3.200 funcionários da divisão Xbox e admitiu que nem sempre é possível ou desejável manter todos os estúdios independentes sob seu guarda-chuva, buscando agora focar recursos onde há maior chance de retorno financeiro.

Um sinal claro dessa mudança foi o anúncio de que o novo Call of Duty “Modern Warfare 4” não será lançado direto no Game Pass, mas terá janela exclusiva para venda antes de entrar no serviço, uma mudança na estratégia que reflete as lições aprendidas.

Essa movimentação mostra que mesmo gigantes do setor, como Microsoft, enfrentam desafios ao tentar implementar modelos de serviços por assinatura em games, que têm padrões de consumo diferentes de outras mídias.

O golpe foi pesado e leva a questionamentos sobre o futuro do Xbox Game Pass dentro da estratégia de mercado da Microsoft e se a empresa vai modificar o modelo para encontrar equilíbrio entre assinatura, venda direta e criação de conteúdo próprio.

O ponto que merece acompanhamento é como essas mudanças vão afetar os jogadores e o calendário de lançamentos, além do impacto para a competição com Sony, Nintendo e outras gigantes da indústria.

Fontes

Fundador do Bandas de Garagem, projeto que marcou a cena independente no Brasil. Apaixonado por games e cultura digital desde os anos 80, vive conectando música, tecnologia e boas ideias que viram projetos.