Tenho algumas lembranças da infância ao visitar amigos do meu pai, ir num restaurante com a família e até num pesqueiro onde por alguns minutos ou horas, uma mesa de Pebolim foi minha atração e companhia. Não tenho dúvidas que a popularidade da mesa de pebolim foi unânime por muito tempo e até minha geração talvez, tenha sido imprescindível para a formação de uma memória afetiva para jogos e brincadeiras.
Tendo noção disso, o pebolim ou totó hoje já não é tão popular como já foi. Mesmo tendo tido já adaptações lúdicas no cinema, com o filme “Um time show de bola” de 2013, já não havia algo que o engajasse há um bom tempo. Mas talvez hoje tenhamos uma boa celebração à memória e a essa brincadeira que está na história de tantos brasileiros.
Me vê 10 fichas!
Pimbolas é um jogo arcade, competitivo e super bem humorado de pebolim. Me chamou atenção sua beleza, charme em seu gameplay e mais ainda por ser um game indie brasileiro. Algo marcante, afetivo e feito com carinho é importante, mas mais ainda é ter cuidado ao fazer um jogo consistente em sua estrutura e sua aplicação.
Confesso que de primeira vista, achei que Pimbolas se tratasse de um jogo mobile. Sua estética e aparente simplicidade me remetia a jogos já lançados para celular, mas estava enganado. Pimbolas tem sua complexidade e merece ser multiplataforma, mesmo que para isso tenha que passar por modificações ou melhorias. E para mim, poderia ser um acerto gigantesco incluí-lo na plataforma mobile, já que o jogo até este momento só está disponível para PC via Steam.
Pimbolas surpreende em sua beleza e sua freneticidade, apesar de sua trilha sonora não acompanhar muito seu ritmo, deixando a desejar um pouco mais de animação e empolgação ao jogar. O jogo é consistente na sua proposta arcade e abrangente em relação às partidas nunca serem as mesmas e sempre termos momentos de tensão ou viradas arrebatadoras. Por outro lado, em alguns momentos o jogo pende para um lado menos técnico e mais automático.

Aqui a roletada não quebra a mesa
Temos 3 modos de jogo em Pimbolas. O Partida Rápida, que se auto explica e permite o jogador escolher o lado do campo, limite de tempo, dificuldade e opções gerais. Além das habilidades e mapas que iremos liberando no modo história.
Temos também o campeonato que tem todas as opções anteriores e se baseia por chaves, deixando o jogador escolher todos os 8 adversários que serão enfrentados até a grande final.
E temos o modo arcade com campeonatos de 3 jogos cada mapa, com a possibilidade de liberarmos os 3 personagens que serão nossos adversários e os itens modificáveis que aparecerem durante o campeonato. Nele a dificuldade é progressiva e é quando o jogo talvez tropece um pouco em sua mecânica.
Até o 2 campeonato, senti que a curva de aprendizagem funcionou e superei a dificuldade de maneira orgânica. Mas a partir do 3 campeonato, senti que a mecânica não era o principal obstáculo na aprendizagem, mas sim a sorte. Temos 5 tentativas para passar no campeonato e toda vez que perdemos um jogo, perdemos uma vida. E diversas vezes perdi o campeonato depois que a IA do jogo fez sucessivos gols em mim de maneira quase impossível de defender ou reverter.

Assim foi até que por tentativa e falha fui avançando até o quinto e penúltimo campeonato que ficou insustentável para o meu estilo de jogo lidar com handicap e conseguir anular o bot. Tanto pela limitação mecânica do jogo, tanto por aparentar responder de uma maneira para o jogador e de outra maneira para a IA, com chutes muito mais rápidos e até reflexos inexplicáveis. Para jogadores tanto competitivos quanto casuais, essa experiência fica na linha tênue entre excesso de frustração e um desafio “hardcore”. E que em ambas as situações, pode haver uma fadiga na gameplay e ocasionar no “drop” do jogo. Só foi possível zerar o modo arcade com a ajuda de um amigo, controlando ataque e defesa separadamente e tendo mais foco num só lado do campo.
Seus controles funcionam bem, tendo duas opções. O controle padrão vai separar os dois manetes em hemisférios opostos do controle, controlando o manete esquerdo com analógico e gatilhos da esquerda e assim do outro lado também. E temos o controle simples onde só controlamos um analógico para os dois manetes e os botões fazem todos os jogadores chutarem simultaneamente. A opção padrão é difícil até nos acostumarmos, mas é recompensante mecanicamente.
E vale notar que o jogo faz questão de celebrar e homenagear diversos outros jogos brasileiros independentes, colocando personagens jogáveis como Mombo de Super Mombo Quest.

No sofá ou no Wi-fi
Na minha experiência, o jogo sem dúvidas brilhou muito mais em seu multiplayer que é o seu trunfo. Podendo ser coop online ou local com até 4 jogadores. Juntar amigos e fazer um campeonato, jogar enquanto conversam e até usar o próprio jogo para fazer desafios ou dinâmicas além do próprio jogo pode fazer do título uma opção imprescindível na biblioteca de jogos da pessoa.
Mesmo sendo super divertido e bem humorado, ainda falta algumas lapidações para permitir que os jogadores no coop escolham em qual manete irão jogar, se no ataque ou na defesa. Na minha ocasião, sempre como player 1, fiquei todas as partidas na defesa sem poder mudar.
E muito importante dizer que o jogo está também com a função de “remote play togheter” que permite chamar amigos que não tem o jogo para jogarem com você. Mas que infelizmente, o jogo não apresenta até agora um modo online. Considerando a proposta do jogo, o online faz falta para que na ausência de um amigo, o jogador possa se conectar e praticar sua competitividade não só com a maquina, mas sim com outros jogadores online.

É gol ou não é?
É o típico jogo que rende risadas, xingamentos amigáveis, competitividade e rivalidade. Talvez semelhante ao que hoje seria um dos gêneros mais populares dentre os jogadores casuais, o “friend slop”, tem uma característica que Pimbolas também tem, que é a versatilidade de seu encaixe na rotina de jogadores frequentes e de grupos de amigos que se juntam no discord para jogarem a noite ou até streamers que fazem lives em conjunto.
Por isso, creio que seria importante o jogo ter sido direcionado já em seu lançamento para multiplataformas, principalmente para Nintendo Switch e Nintendo Switch 2, pensando criativamente na adaptação de seus joycons com a mecânica clássica da mesa de pebolim. E também com uma opção online para conectar jogadores aleatórios e estimular o crescimento exponencial do game.
No mais, Pimbolas é uma boa surpresa e uma celebração gratificante ao jogar. Mesmo com alguns tropeços e um caminho ainda para percorrer, faz um bom trabalho e garante bons minutos de gameplay sozinho ou com amigos.












