Logotipo da PlayStation com discos de jogos físicos representando mídia física
Imagem: Reprodução IGN Brasil

União Europeia afirma que não pode impedir PlayStation de abandonar discos físicos

A União Europeia se posicionou de forma clara diante da polêmica decisão da Sony de abandonar os discos físicos para os jogos do PlayStation 5 a partir de 2028. Segundo o comissário europeu Michael McGrath, a UE não tem poder para impedir que a Sony — ou qualquer outra empresa — opte por um modelo totalmente digital.

A forte reação de muitos jogadores nas redes sociais, incluindo petições que já contaram com centenas de milhares de assinaturas, não encontrou respaldo na legislação europeia. O comissário afirmou que a legislação vigente respeita a liberdade comercial e contratual, desde que os direitos básicos dos consumidores sejam protegidos.

Além disso, a Comissão Europeia também esclareceu que as regras atuais não permitem impor obrigações de manter jogos jogáveis após o fim de sua comercialização, devido a direitos de propriedade intelectual.

A decisão da Sony tem um fundamento financeiro claro: a remoção dos discos físicos aumenta significativamente a margem de lucro por jogo vendido. Enquanto na mídia física parte da receita vai para varejistas e custos de fabricação, nas vendas digitais a Sony retém 100% do valor em jogos first-party, ou cerca de 30% em jogos de terceiros na PlayStation Store.

Com cerca de 120 milhões de usuários ativos e 50 milhões assinantes da PlayStation Plus, especialistas apontam que possíveis cancelamentos em massa de assinaturas dificilmente vão fazer a empresa retroceder.

Essa mudança indica uma tendência definitiva para o mercado de jogos, acelerando a transição para modelos digitais. Para os consumidores, embora a conveniência digital seja um avanço, a ausência de mídia física levanta debates sobre preservação, acessibilidade e custos associados ao acesso à internet de qualidade.

A União Europeia declarou que vai continuar dialogando com a indústria e representantes dos consumidores para elaborar códigos de conduta sobre o fim do ciclo de vida de videogames, mas a decisão da Sony está garantida pela atual legislação.

O que esperar daqui para frente?

Com a UE fora do jogo para reverter essa decisão, o foco passa a ser a resposta do mercado e dos próprios consumidores a essa transição. A Sony parece apostar que a lucratividade e o modelo digital vão prevalecer, moldando a próxima geração da indústria de consoles.

Fontes

Fundador do Bandas de Garagem, projeto que marcou a cena independente no Brasil. Apaixonado por games e cultura digital desde os anos 80, vive conectando música, tecnologia e boas ideias que viram projetos.