A França reafirmou sua posição de proibir apostas em esports em todo o território nacional, mesmo enquanto a Esports World Cup acontece em Paris. A Autorité Nationale des Jeux (ANJ), órgão regulador francês de jogos de azar, deixou claro que qualquer aposta em competições de jogos eletrônicos é ilegal no país, independentemente da plataforma.

Essa medida foi reforçada logo na primeira semana do campeonato, com a ANJ explicando que a proibição visa proteger o público jovem dos riscos associados ao jogo, como vício, isolamento e problemas financeiros e familiares. No entanto, a decisão contrasta com o posicionamento de várias outras jurisdições, que regulam o mercado de apostas em esports de maneira semelhante a esportes tradicionais.
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Ver oferta na AmazonLegislação francesa sobre apostas e esports
A legislação francesa em jogos online, de 2010, limita as apostas legais a um catálogo específico de esportes sancionado pela ANJ, e esports não está nessa lista. Além disso, a lei de 2016 criou uma categoria legal para “compétitions de jeux vidéo” (competições de jogos eletrônicos) no Código de Segurança Interna, mas deixou claro que esta categoria não inclui autorização para apostas.
Isso significa que, apesar do reconhecimento oficial das competições de esports, a legislação proíbe ao mesmo tempo o seu mercado de apostas – uma contradição que gera debates sobre a coerência e atualização da lei diante da expansão dos esports.
Implicações e críticas à postura do governo
A ANJ também alertou contra o uso de sites que oferecem apostas em esports, destacando possíveis riscos como ausência de ferramentas de jogo responsável, insegurança de dados, softwares manipulados, falta de garantias financeiras e práticas comerciais injustas. Porém, essa visão tem sido criticada por especialistas como um desentendimento do setor e descompasso com o crescimento internacional do mercado.
Um exemplo que evidencia o paradoxo da lei é que um jovem francês pode apostar legalmente na Copa do Mundo de Futebol FIFA, mas não em eventos equivalentes como a Esports World Cup, com confrontos entre equipes profissionais como Vitality e Karmine Esports.

Na prática, essa postura limita as opções para apostadores dentro da França e cria um mercado paralelo e não regulado, com riscos para os consumidores. Apesar de a França investir para sediar grandes eventos de esports, a incompatibilidade entre fomento e restrição gera questionamentos sobre a estratégia e o entendimento do ecossistema esportivo digital pelo governo.
Até o momento, não há sinalizações de que a legislação será revista para incluir apostas reguladas em esports. Por isso, o público deve continuar atento às regras locais para evitar problemas legais e financeiros.










