EA Games negócio Arábia Saudita

Aquisição da Electronic Arts pela Arábia Saudita enfrenta resistência de desenvolvedores de jogos

Sindicato de Trabalhadores de Videogames exige que aprovação da aquisição da EA proteja empregos, liberdade criativa e a responsabilidade nas decisões

A aquisição da Electronic Arts (EA) pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita e empresas de private equity, no valor de US$ 55 bilhões, está gerando uma crescente resistência, especialmente de trabalhadores da indústria de games. A United Videogame Workers-CWA, um sindicato de desenvolvedores de jogos, divulgou um comunicado pedindo que reguladores e legisladores garantam que a compra proteja empregos, preserve a liberdade criativa e mantenha as decisões da empresa responsáveis pelos trabalhadores que fazem a EA um sucesso.

Preocupações com a estabilidade de empregos e a liberdade criativa

Em seu comunicado, o sindicato destacou que a Electronic Arts não é uma empresa em dificuldades financeiras. Com receitas anuais de US$ 7,5 bilhões e lucros de US$ 1 bilhão por ano, a EA é uma das maiores desenvolvedoras e publicadoras de jogos do mundo. Porém, a aquisição levanta sérias preocupações sobre os empregos e a direção criativa dentro da empresa.

“Nosso trabalho tem sido essencial para o sucesso da EA, mas fomos ignorados durante toda a negociação dessa aquisição. Agora, enfrentamos o risco de perder empregos em estúdios que são considerados ‘menos lucrativos’”, afirmou o sindicato. A declaração faz referência a estúdios da EA, como a BioWare, que, segundo rumores, poderia estar em risco devido à nova direção da empresa.

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BioWare e o impacto cultural da aquisição

BioWare, conhecida por suas produções de RPGs aclamados, como Mass Effect e Dragon Age, é um dos estúdios frequentemente mencionado como em risco devido à aquisição. Embora a empresa não tenha lançado um grande sucesso em uma década, as preocupações sobre o futuro do estúdio vão além da performance financeira. A orientação progressista de BioWare, incluindo a inclusão de narrativas LGBTQ+, levanta questões no contexto da Arábia Saudita, um país onde relações entre pessoas do mesmo sexo ainda são criminalizadas. Funcionários da BioWare já temem que o estúdio possa ser fechado, com base na incompatibilidade de valores com a nova administração.

A crítica à compra e o pedido de fiscalização

O sindicato também criticou a aquisição por ser um movimento estratégico para beneficiar investidores em vez de fortalecer a própria empresa. A declaração destaca que, caso haja perda de empregos ou fechamento de estúdios, isso seria uma escolha deliberada para aumentar lucros, e não uma necessidade para a operação da EA.

A United Videogame Workers pediu à Federal Trade Commission (FTC) que analise minuciosamente o acordo e garanta que as decisões sobre a compra não comprometam os direitos dos trabalhadores. “Se empregos forem perdidos ou estúdios fechados, isso não será por uma necessidade econômica, mas sim uma escolha feita para enriquecer investidores”, afirmou o sindicato.

A reação dos senadores dos EUA

A resistência à aquisição não se limita aos trabalhadores da EA. No dia anterior, os senadores dos EUA Richard Blumenthal e Elizabeth Warren expressaram sérias preocupações sobre os potenciais riscos à segurança nacional que a compra poderia trazer, dada a influência da Arábia Saudita e os envolvidos no processo, incluindo Jared Kushner, genro do presidente dos EUA, que tem desempenhado um papel importante nas negociações.

Apesar dessas preocupações, o sindicato reconhece que reguladores e políticos sozinhos não serão suficientes para proteger a indústria de videogames. Por isso, o grupo tem incentivado os trabalhadores a se organizar para garantir que tenham voz nas decisões sobre a indústria que ajudam a construir.

Petição por uma análise mais rigorosa

Além do apelo público, o sindicato também lançou uma petição exigindo maior supervisão regulatória sobre a aquisição, que será apresentada à FTC. A esperança é que uma avaliação mais cuidadosa da compra possa garantir que os direitos dos trabalhadores e a criatividade da indústria não sejam sacrificados em nome de lucros rápidos.

Fonte: PC Gamer

Há 10 anos trabalhando com produção de conteúdo, já produzi programas de TV, participei de eventos internacionais e escrevi uma porção de reviews por aí.