Echoes of Aincrad - Capa

Review | Echoes of Aincrad

Uma aventura imersiva e desafiadora que recompensa quem gosta de evoluir personagem e explorar o universo de SAO

A franquia Sword Art Online (SAO) marcou uma geração com a sua clássica regra de que morrer no jogo significa morrer na vida real. Agora, com o lançamento de Echoes of Aincrad marcado para 10 de julho de 2026 no PS5, Xbox Series X|S e PC, finalmente temos a chance de viver essa experiência de forma imersiva. 

Como dito anteriormente na nossa prévia (que pode ser lida aqui), o jogo já mostrava um enorme potencial com seus testes iniciais de mundo e mecânicas. Após mais de 15 horas explorando o jogo completo sem pressa, trago uma perspectiva muito mais profunda de tudo o que essa jornada tem a oferecer.

Sword Art OnlineO começo

Imagem do anime Sword Art Online

A história de Sword Art Online (SAO), acompanha jogadores que usam óculos de realidade virtual de imersão total para acessar o MMORPG homônimo. Todos ficam fascinados com a beleza e a possibilidade de se aventurar naquele mundo, até que o criador do jogo surge com um aviso aterrador, de que ninguém ali vai conseguir deslogar. A única forma que os jogadores pensam de que podem escapar é subindo os 100 andares da torre, derrotando todos os inimigos. Porém, há um detalhe nefasto que deixa todos apavorados, graças a um mecanismo criado, quem morrer dentro do jogo morrerá também na vida real.

É aí que o herói Kirito e outros jogadores começam a sua luta desesperada pela sobrevivência. O grande trunfo de Echoes of Aincrad é que ele traz exatamente essa dinâmica, mas em vez de você assumir o protagonista do anime, você cria o seu próprio personagem do zero e tenta sobreviver no meio dessa mesma galera. Como dito anteriormente na nossa prévia, o jogo já mostrava um enorme potencial com seus testes iniciais de mundo e mecânicas. Após mais de 15 horas explorando o jogo, agora na sua versão completa sem pressa, trago uma perspectiva muito mais profunda de tudo o que essa jornada tem a oferecer.

Imagem de Sword Art Online 2

A Arte do “Grind” e a Tensão Souls-like

Vamos tirar o elefante da sala: o jogo tem um foco forte em evoluir o seu personagem, dropar itens para melhorar equipamentos e juntar Col (a grana do jogo). Sim, isso significa que existe um nível de grind (repetição de batalhas para subir de nível). Tem gente que torce o nariz para isso, mas sejamos justos: jogos com essa dinâmica sempre funcionaram assim e não acredito que deva ser um ponto negativo, pelo menos nunca achei ruim fazer isso em jogos clássicos e grandes como Final Fantasy e outros do gênero. O grind aqui é uma escolha, você pode seguir a história e buscar desafios maiores logo de cara, mas a opção de farmar e ficar mais forte está ali presente. Se optar seguir pela evolução, isso pode te ajudar, como já havíamos adiantado no nosso teste beta, o jogo flerta com o gênero Souls-like. Os pontos de checkpoint são esferas mágicas (as nossas “fogueiras”) que curam a sua energia, os seus status, oferecem a opção de teletransporte pelo mapa, além de também, cada uma dessas esferas, quando ativadas, elas dissipam a névoa de uma área do mapa, revelando localizações de baús dourados. O detalhe que dita o ritmo é que elas fazem os inimigos básicos da área reaparecerem (pelo menos os chefões continuam mortos).

Echoes of Aincrad - mapa

O combate é de alto risco e te obriga a prestar muita atenção no seu vigor (a barra de Stamina restritiva que alertamos na prévia) e na sua força. A variedade de inimigos é interessante, com destaque absoluto para os mini chefes e os próprios chefes, já que os ataques deles são bem distintos e te obrigam a se planejar melhor durante as batalhas, o que torna dinâmico e empolgante o desejo de melhorar suas habilidades. Se você não usar as técnicas corretas, como encaixar um parry no tempo exato, saber a hora de usar ataques fortes e fracos, esquivar e fazer combos em dupla, até as lutas mais simples podem te levar à morte. Se estiver jogando no temido modo Death Game (disponível já desde cedo nas versões de jogo acima da Standard), um vacilo desses te obriga a começar tudo do zero, apagando o seu save. Um ponto que algumas pessoas podem achar ruim é o sistema de “forja”, para alterar equipamentos e realizar melhorias, você precisa obrigatoriamente voltar para a cidade, o que te faz interromper a missão e começar ela de novo ao voltar. Cortar o ritmo da exploração pode incomodar, mas é totalmente compreensível quando paramos para pensar de forma lógica, de que você não é um ferreiro e não tem os equipamentos necessários na mochila para criar uma arma no meio do mato. Como disse, talvez isso incomode uns e outros não.

Echoes of Aincrad - Ferreira

O Mundo: Segredos, Stealth e a Nostalgia do Multiplayer

Visualmente, os mapas são muito bonitos. Eles te fazem querer parar e admirar de verdade a beleza e a composição de todo o cenário. Você pode explorar livremente (até onde as paredes invisíveis deixam), mas seria mais interessante se existissem recompensas maiores espalhadas para aproveitar todo esse espaço. No fim das contas, os itens principais limitam-se aos baús dourados revelados pelo mapa ou aos drops dos monstros. Isso passa uma leve impressão de conteúdo inacabado e torna a exploração repetitiva, te direcionando somente ao objetivo final. Outro detalhe que achei que fez falta foi uma mecânica de nado, não necessária, mas seria algo a mais, já que tem rios, lagos pelo mapa, por que não aproveitar? Ter inimigos e um modo de batalha na água seria um atrativo a mais e um aproveitamento maior dos recursos já disponíveis dos cenários, que como já dito, são realmente muito bonitos.

Além dos cenários, e esses pontos levantados, o jogo acerta ao nos deixar criar um protagonista do zero no universo de SAO, em vez de nos obrigar a jogar com o Kirito, como foi durante outros jogos da franquia. É um prato cheio de opções de customização para quem curte anime.

Echoes of Aincrad - Char

O mundo conta ainda com alguns itens de “pesquisa” espalhados pelo mapa (com ícones de lupa), para expandir um pouco mais a história desse mundo.

Echoes of Aincrad - Lupa

Porém, por ser um universo baseado em um MMORPG, confesso que senti falta de um modo cooperativo ou multiplayer real. O título é puramente single-player e tenta compensar a falta de jogadores com opções de diálogos com NPCs para criar vínculos. Ainda estou descobrindo o quanto essas escolhas afetam a história, mas para quem cresceu jogando MMOs na adolescência, seria incrível encontrar outras pessoas pelo mapa para competir ou simplesmente exibir e trocar equipamentos raros. Na prévia eu já havia elogiado a mecânica de parceiros da inteligência artificial (como a curandeira Iori), mas o calor de uma comunidade ativa faz falta, gostaria de compartilhar essas aventuras nesse mundo com amigos e upando juntos.

Echoes of Aincrad - Party

Outro ponto de atenção são os monstros básicos, que acabam sendo um pouco genéricos e repetitivos, como os vários javalis e lobos no início do jogo, seria interessante ter mais monstros diferentes. Além disso, o radar dos inimigos para te notar no mapa é muito rápido e amplo, o que acaba com qualquer chance de tentar uma abordagem furtiva (stealth) (pelo menos até onde eu joguei, não vi essa alternativa). Seria muito legal ter a opção de chegar sem ser notado para realizar ataques surpresas e realizar um crítico no ataque, especialmente porque, no final de cada missão, o jogo exibe uma tela de avaliação mostrando seu desempenho, XP ganho, Col e materiais coletados. Um bônus por furtividade nessa tela cairia muito bem.

Echoes of Aincrad - javali

A presença de legendas em Português do Brasil salva a imersão, mas fica o lamento pela ausência de uma dublagem no nosso idioma. De maneira geral, o jogo pode ser bem divertido e atrativo ao público comum e até mesmo aos fãs da franquia SAO, não consigo imaginar estes se decepcionando com esse jogo, imagino que talvez esperem aprimoramentos de uma coisa ou outra, por ser de fato interessante, ainda mais com o modo Death Game, ele é de fato um bom jogo, talvez pedidos por mais andares da torre, e patches para mais monstros surjam com o tempo, pois todos que jogarem com certeza vão querer explorarem ainda mais esse mundo.

Echoes of Aincrad - hello

Filme: Unanswered//butterfly – Sword Art Online na Ultimate Edition

Um grande diferencial da edição Ultimate, é a inclusão de um filme do anime de quase duas horas, que expande esse universo de forma surpreendente. A história já começa chocante, onde um grupo de players é atacado, e o agressor é ninguém menos que o próprio Kirito. Apenas uma garota chamada Emirun e um rapaz chamado Rex (um tank que não consegue lutar) sobrevivem ao massacre e juram vingança.

Sem saber do plano de vingança deles, Asuna cruza o caminho da dupla, ajuda os dois e até começa a treinar Emirun. Quando a verdade sobre o alvo deles vem à tona, Asuna se afasta chocada com a ideia de Kirito ter matado outros players. Emirun também acaba se desentendendo com Rex e vai sozinha atrás de Kirito. Quando ela o encontra, a verdade finalmente se revela, outra pessoa estava por trás das mortes, provando que Rex nunca foi um amigo real. Asuna, Kirito e Emirun se unem contra Rex em uma batalha intensa. O desfecho da animação deixa no ar que o mal ainda paira entre os jogadores, e esse pode ser o nosso inimigo real não somente neste filme, mas dentro de nosso jogo Echoes of Aincrad.

Veredito Final: Após mais de 15 horas de gameplay, Echoes of Aincrad se consolida como um JRPG mecanicamente robusto. O título consegue equilibrar o desafio de um sistema de combate punitivo, que exige atenção constante ao vigor e à tática de parceiros, com uma narrativa que prende do início ao fim. A constante dúvida sobre o destino dos jogadores, se conseguirão escapar ou se ficarão presos naquele mundo para sempre, cria uma urgência que motiva a progressão. Embora perca a oportunidade de preencher seu vasto mapa com recompensas mais significativas, os sistemas centrais de builds e a fidelidade ao material original seguram a experiência com louvor. É uma obra que recompensa o planejamento e a persistência, entregando um desafio genuíno para os fãs da franquia.