Nessa semana chega a versão completa de Infinitevania. O lançamento programado para o dia 24 de julho de 2026, com direito a um evento ao vivo no Flow Games durante a Retrocon 2026. O jogo chega inicialmente para PC através da Steam e, na data de lançamento, terá um desconto especial de 15%, ficando por apenas R$ 33,99 (após o período promocional, deverá retornar ao valor oficial de R$ 39,99). Se você prefere jogar nos consoles, a boa notícia é que, em breve, o título também receberá versões dedicadas para PlayStation, Xbox e Nintendo Switch.
O cenário independente nacional tem ganhado cada vez mais força nos últimos anos, e títulos ambiciosos começam a bater de frente com grandes clássicos do mercado. Após 5 anos de desenvolvimento, o lançamento do Infinitevania está chegando, e fomos convidados para explorar o jogo antes da estreia oficial! A obra é um Metroidvania que mistura mecânicas de Hollow Knight, Castlevania SOTN e Blasphemous, focado em exploração, combate, sessões de plataforma e com um grande foco em narrativa. Recebemos uma chave antecipada do novo projeto da JHT Games, e mergulhamos de cabeça no centro do universo para descobrir se essa mistura de referências de peso realmente se sustenta na prática.
Já posso adiantar que, para quem gosta do gênero, o título é absolutamente viciante. Ele entrega uma experiência profunda, intuitiva e cheia de personalidade, provando ser um passo importante para fortalecermos cada vez mais a indústria brasileira de games.
O drama que encontra a “zoera” brasileira
A premissa narrativa de Infinitevania começa com um peso emocional que pega o jogador de surpresa. O protagonista estava saindo de casa para visitar sua mãe no hospital, que havia acabado de sair de um coma. Ao abrir a porta, ele acaba sendo sugado por um portal misterioso e transportado para o centro do universo. Agora, o seu maior objetivo é sobreviver a esse mundo fragmentado e conseguir destruir o núcleo do Infinitevania para poder voltar para casa e rever a sua mãe.

Apesar dessa carga dramática, o jogo não tem medo de abraçar a famosa “zoera” brasileira que todos apreciamos. A ambientação e os personagens são carismáticos, e a simplicidade dos nomes tira aquela risadinha marota de quem presta atenção aos detalhes. Explorar a “Floresta da Ahlof” (Folha), negociar com o “Nilbog” (Goblin), enfrentar o “Melog” (Golem), ou a “Tenroh” (Hornet), o “Etrom” (Morte), são toques muito divertidos. Além disso, o jogo é recheado de referências a animes e a outros clássicos dos videogames, tanto nas falas quanto na execução de alguns golpes e cenários, um verdadeiro prato cheio para os fãs.

Contudo, fazendo uma ressalva bem pessoal, confesso que senti falta de um aprofundamento maior no desenvolvimento da história. O jogo acaba sendo muito direto ao ponto no desenrolar dos acontecimentos. Considerando o peso emocional da premissa inicial e o universo rico que eles construíram com esses personagens, uma narrativa mais densa e cadenciada faria a jornada ser ainda mais inesquecível. Felizmente, o carisma do elenco e a jogabilidade seguram as pontas com maestria.
Combate fluido e a alma de Mega Man
A jogabilidade é o grande coração de Infinitevania. O combate é responsivo e estratégico, exigindo que você estude os inimigos comuns e os chefes. Não se trata apenas de atacar, pois os próprios adversários muitas vezes precisam ser usados de forma inteligente para que você alcance plataformas e áreas secretas.

Com a progressão, você adquire novos poderes que ajudam na travessia e no combate. Aqui, faço um destaque especial: a mecânica de derrotar os bosses e absorver os seus poderes remete instantaneamente à genialidade da franquia Mega Man. Essa sensação de herdar a habilidade de um chefão e usá-la a seu favor cria um ciclo de recompensa muito satisfatório.

Tudo isso flui de maneira tão intuitiva que, mesmo quem está tendo a sua primeira experiência com o gênero metroidvania, vai conseguir se adaptar depois de um tempo de gameplay. Um detalhe feito para testar a sua paciência, mas muito bem-vindo, é a presença de um contador de mortes que você pode ativar. Ver aquele número subir depois de perder a vida de forma boba em uma armadilha ou para um inimigo comum gera aquela frustração gostosa que te impulsiona a tentar de novo e de novo.
Arte detalhada, Acessibilidade e uma Dublagem Titânica
Visualmente, a pixel art do jogo é um espetáculo à parte. O nível de detalhes faz com que o visual se aproxime de uma animação desenhada à mão, com cenários atmosféricos que variam do sombrio ao misterioso.

Para coroar o cuidado técnico da JHT Games, o título dá um verdadeiro show de inclusão. O estúdio implementou ótimos recursos de acessibilidade, garantindo que mais pessoas possam aproveitar a jornada. O jogo conta com suporte a daltônicos, controles totalmente remapeáveis acompanhados de exibição dinâmica de ícones, além de um excelente feedback visual e sonoro em todas as interações.

Mas a cereja do bolo, sem a menor sombra de dúvidas, é o trabalho de voz (que também atua como um recurso fantástico de acessibilidade). A imersão atinge outro patamar com uma dublagem completa e um elenco que é um verdadeiro absurdo, fazendo as vozes tanto em português quanto em inglês:
- Protagonista (Garoto): Lucas Almeida (a voz do Eren de Attack on Titan e do Cabin de Pragmata).
- Etrom: Francisco Junior (o Sukuna de Jujutsu Kaisen, além do Jason Momoa e do Venom).
- Ancião (Elder): Ricardo Juarez (o icônico Kratos de God of War, Draven de LoL, Zenyatta de Overwatch, ou para os mais velhos, o narrador de Digimon 1).
- Bibliotecária: Beatriz Meinberg (a Freya de God of War, Atsu de Ghost of Yotei e Mabui de Naruto Shippuden).
- Tenroh: Luiza Caspary (a nossa Ellie de The Last of Us, Seraphine de LoL e Mika de Psycho Pass).
- Nilbog: Guilherme Damiani, que além de Consultor Criativo, dá voz ao mercador de almas em sua primeira e espetacular dublagem.

O trabalho deles não soa apenas como um extra, mas como a alma de cada interação narrativa do jogo, e vocês podem acompanhar um pouco desse trabalho realizado em páginas oficiais do game também.
Deslizes pontuais e bugs
Durante a jogatina, encontrei apenas dois pequenos bugs. Já os comuniquei aos desenvolvedores e, como é algo comum em versões prévias, muito provavelmente estarão corrigidos até a data do lançamento. Eles não quebram o jogo e não devem, de maneira alguma, impedir você de vivenciar essa obra.

Do ponto de vista de design, existem alguns pequenos incômodos muito pessoais. O uso do botão direcional para cima para salvar o jogo nos Totens de respawn acaba atrapalhando a fluidez da movimentação em alguns momentos, as vezes você não quer usar, mas ao estar correndo ele ativa, uma escolha de mapeamento diferente cairia melhor. Além disso, a fonte na cor branca em alguns menus prejudica um pouco a leitura. Agregando a isso, algumas seções de puzzles podem parecer levemente repetitivas, e a dificuldade mais elevada em certos picos pode assustar os jogadores casuais, mas nada que estrague o brilho do conjunto.
Veredito Final

Infinitevania é uma verdadeira carta de amor aos clássicos, mas que possui identidade e coração próprio. O jogo prova que o Brasil tem total capacidade de produzir títulos envolventes, desafiadores e com uma qualidade técnica impressionante. Recomendo fortemente para os amantes do gênero e também para aqueles que buscam novos desafios.











